São Paulo, 25/04/2017        
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Entrevista sobre Regressão a Vidas Passadas     


Por Martha Follain

O que é terapia de vidas passadas (TVP) ?

A TVP é uma terapia holística, ou seja, atua sobre o corpo, a mente, as emoções e o espírito. A TVP torna conscientes fatos traumáticos (da infância, nascimento, gestação ou de vidas passadas) que possam estar gerando sintomas psicossomáticos, desequilíbrios emocionais, etc., por estarem, ainda, inconscientes. “Regressão ao passado” significa: contatar o passado do cliente que ele carrega agora. O objetivo é a catarse que, é uma liberação que conduz a uma paz emocional porém, a catarse também é purificação intelectual. Esse estado é “compreensão” – e, compreensão significa estar em harmonia com suas condições e consigo mesmo. A TVP não é aplicada para satisfazer curiosidades fúteis e pessoais ou desejos caprichosos de descobrir o que se foi no passado. Sua aplicação é unicamente para fins terapêuticos: disfunções psíquicas, psicossomáticas, orgânicas, relacionamento interpessoal, problemas sexuais, etc. A TVP é contra-indicada para: grávidas (porque o feto pode registrar experiências de regressão como sendo suas), epilépticos, cardiopatas e esquizofrênicos.

Qual a diferença ente TVP e regressão?

 
Regressão é voltar a vivenciar fatos passados. Porém, apenas revivenciar esses fatos não traz a paz. Busca-se a catarse que, é limpeza, liberação. A terapia vai encontrar, através da revivência dos momentos traumáticos , a elaboração dos pensamentos, das emoções e sentimentos do cliente que, vão poder reprogramar suas atitudes e comportamentos na vida atual. A TVP, como toda terapia, é um caminho de auto-conhecimento. Com técnicas apropriadas e a decisão do cliente, o terapeuta vai ajudá-lo a elaborar novos roteiros que, vão livrar o inconsciente daquele primeiro registro negativo. O cliente toma sua redecisão de vida, com a qual vai lidar em sua transformação pessoal., para uma vida melhor e mais feliz. Na TVP o terapeuta analisa os fatos vivenciados com o cliente, ajudando-o a chegar às analogias dos episódios pretéritos com os seus problemas atuais. O terapeuta e o cliente vão, assim, reprogramar seu modelo de vida.
 

Na TVP a hipnose é usada?

Sim. Muitos terapeutas de regressão a usam explicitamente outros raramente. Existe uma diferença entre estado hipnótico e indução hipnótica. A hipnose, como um estado mental e físico, ocorre espontaneamente na  vida  diária quando estamos absortos por alguma experiência. Por exemplo, se vc está conversando com um amigo do qual gosta muito  e, nem  percebeu o tempo passar, vc esteve num estado
hipnótico. Quando recebo um cliente no consultório colocando-o numa posição confortável, música suave e digo determinadas palavras com uma determinada entonação na voz, estou induzindo um estado hipnótico. A grande maioria dos terapeutas de regressão usa a indução hipnótica. Porém, outros, entre eles Morris Netherton e Hans TenDam usam apenas o estado hipnótico, utilizando o “estado” no qual a pessoa, muitas vezes, já se encontra. Por exemplo, se uma pessoa sofre há muito tempo com uma forte dor abdominal sem explicação clínica, ela já vive no transe na dor. Nesse caso, não haverá a necessidade de uma indução. A própria dor será o guia que levará o cliente a uma vivência passada.

Quando a pessoa descobre algo, o que é feito dessa descoberta?
 
Essa descoberta, através da revivência, libera as cargas emocionais. A TVP é um processo de auto-cura , no qual o terapeuta ajuda o cliente a trazer à consciência as origens dos problemas atuais e a liberação do inconsciente. A partir daí, é do cliente a decisão de reformular seu modelo de vida através da mudança de seus padrões de pensamentos, comportamentos, emoções, etc. Esta liberação pode conduzir o cliente a compreender e assimilar suas responsabilidades.
 
O cliente se lembra de tudo o que vivenciou ?

Sim. O estado de transe não é um estado de inconsciência. Aliás, a TVP não teria muita utilidade se a pessoa não se lembrasse de suas revivências pois, ela precisa dessas lembranças para utilizá-las de uma forma útil na sua decisão de mudar seus padrões negativos na vida atual. E, portanto, não há o tão temido risco de "não voltar", já que o cliente não "vai" a lugar nenhum, mantendo-se inteiramente consciente de tudo que está acontecendo.

Você  disse  que  não  importa se a  pessoa  acredita ou não em reencarnação e também se o que ela traz da regressão é real ou ilusório. Nesse último caso, o que importa é o conteúdo. Explique melhor o que significa esse conteúdo.

Para os resultados da TVP , não importa se o cliente acredita em reencarnação ou não e tb não importa se o que ele traz da vivência é real ou ilusório A reencarnação é um assunto controvertido. Talvez por pertencer a uma área de pensamento altamente sensitiva, a terra de ninguém entre a religião e a ciência. A força propulsora por trás da ciência é a busca do conhecimento : com o conhecimento virá  a  compreensão  e,  havendo   conhecimento  suficiente,  o  mistério  pode  ser
solucionado. A força propulsora da religião é a fé. Onde a ciência busca conhecimento, a religião busca fidelidade aos dogmas. A reencarnação é uma das crenças religiosas mais controvertidas, com uma longa história de aceitação pelos hindus, budistas, egípcios, muitos filósofos gregos, druidas, várias tribos da África, nativos das Américas e, algumas seitas judaicas e cristãs. Porém, com o desenvolvimento da hipnose para as recordações de vidas passadas, a reencarnação vem se tornando não mais um assunto de fé corrente ou de fé nas revelações do iluminado mas, uma área da experiência humana. Pessoas que têm memórias aparentes de suas próprias vidas passadas constituem uma área de experimentação como outra qualquer. E, quando um grande número de pessoas tem experiências similares, padrões podem ser descobertos.
Às vezes, o cliente pode pensar que aquilo que ele está vivenciando seja produto de fantasia, alucinação, ilusão, imaginação ou até de um delírio esquizofrênico. Segundo os Drs. Morris Netherton e Edith Fiore isso não importa pois, o que realmente interessa é o restabelecimento do cliente e, isso ocorre em menor tempo do que nas terapias convencionais. O que interessa é o que aflora do inconsciente e, o conseqüente bem estar do cliente.

Você disse que nós estamos encarnados nesse planeta para realizar um trabalho evolutivo  e  de  aprendizado.  Qual  o papel  da Terapia de  Vidas Passadas nesse contexto?

A TVP nada tem a ver com o perdão universal ou o amor incondicional. A TVP é um caminho pessoal de compreensão, aceitação, crescimento e equilíbrio. Quer vc acredite ou não em reencarnação, o objetivo de uma vida é sempre a evolução ( até por uma necessidade de preservação da própria espécie). E, a TVP abrevia o tempo de aprendizado, muitas vezes acabando com bobagens, brigas sem sentido, inveja, mesquinharias, etc. Com a TVP temos um contexto imensamente mais amplo e, podemos perceber a responsabilidade do nosso papel em nossas próprias vidas e nas das outras pessoas.                                                                        

Em  seus 15  anos de  experiência,  qual  foi  o  caso  mais impressionante que já chegou  às  suas mãos  e  qual  o efeito da terapia na vida dessa pessoa (não precisa citar nome, só o sexo e mais ou menos a idade dessa pessoa).

Em minha experiência profissional todas as regressões são importantes pelos resultados que o cliente obtém, depois de sua compreensão e conseqüente mudança de vida. Porém, o caso de Marco (nome fictício) me impressionou. Fui procurada pela mãe de Marco, então com 17 anos, que disse-me que seu filho nascera enrolado no cordão umbilical sofrendo uma anoxia (falta de oxigênio no cérebro). Como resultado , Marco não teve o desenvolvimento normal de toda criança. Ele era lento, com reações infantis, com dificuldades para estudar (não conseguia terminar o 1° grau), etc. Esta família já tinha tentado várias outras terapias que não deram resultado. Começamos o trabalho e, Marco trouxe a seguinte vida passada: ele era um líder tuareg (de +/- 30 anos), um guerreiro do deserto de uma tribo nômade. Sua tribo estava em constantes batalhas com tribos vizinhas. Marco era um excelente guerreiro. Porém, extremamente cruel. Quando havia prisioneiros dessas batalhas,  ele mandava enterra-los na areia deixando suas cabeças de fora. Sua “diversão” era montar em seu cavalo favorito e, a galope ia decapitando os prisioneiros com golpes de sabre, deixando os corpos e as cabeças decepadas apodrecerem ali mesmo. E assim foi por toda a sua vida. Ele morreu de um ferimento numa dessas batalhas. A partir daí, Marco entendeu plenamente que sua lentidão mental servia para conter uma possível “recaída” no desejo de machucar outras pessoas. O fato de ter nascido enrolado no cordão umbilical e ter sido asfixiado era uma lembrança física de suas atrocidades pretéritas. Agora conhecendo claramente o porquê de suas limitações, Marco conseguiu formar-se no 1º grau. Terminou o 2° grau. E, aceitou o desafio de tentar a universidade – passou no vestibular para uma faculdade de publicidade. Hoje ele está quase terminando sua faculdade (com dificuldades, é claro) , está namorando e, está trabalhando como vendedor (começou como office boy) em uma revenda de automóveis.

 

Fonte: Entrevista concedida por Martha Follain ao site www.juntos.com, para Brasil, Venezuela e México.

 

 

 

 

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