São Paulo, 18/12/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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O Brasil ainda é o maior produtor e exportador mundial de álcool combustível, pelas suas extraordinárias e insuperáveis vantagens comparativas naturais, de troco, a histórica vantagem tecnológica como executor do único programa mundial de sucesso em produção extensiva de energia renovável e limpa. Em 1986, com a implantação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), a frota de carros movidos por este combustível chegou a 96%. O álcool era produzido pela metade do preço do segundo produtor, os EUA, e, nas bombas, chegava a ser menos da metade do preço da gasolina. Não havia subsídio e o grande sucesso vinculava-se ao incentivo através de benefícios fiscais na compra do veículo.
Com os constantes desabastecimentos, e insegurança, em 2004 havia apenas 1% de carros a álcool. A perda da credibilidade foi atribuída aos usineiros, justificando-se que quando o preço do açúcar estava em alta passaram a produzir mais o produto, não se importando em atender a demanda pelo álcool. Se houve má-fé dos usineiros, outro ponto a considerar é que o Programa foi barbaramente boicotado pelas montadoras de automóveis, já que com o Proálcool o Brasil passaria a ser a maior potência de energia, o que não interessava à s nações hegemônicas. O corte de crédito que o Banco Mundial fez comprometeu a atividade dos pequenos produtores, principalmente quando os preços do álcool ficaram abaixo do custo de produção.
Os governos anteriores não tiveram a visão estratégica para dar continuidade ao Programa, mas lamentavelmente isso parece ocorrer, também, no atual governo, após a sua revitalização. Enquanto outros países se empenham em desenvolver tecnologia para combustível alternativo, o Brasil foge desta função estratégica, competitiva e lucrativa de obter um combustível limpo, perene, e ancorar em um porto seguro, diante da escassez anunciada do petróleo na conjuntura internacional.
Previa-se que o futuro do álcool já estava no presente, quando aumentou a frota dos carros bicombustíveis, o que elevou a demanda, mas que excedeu à oferta, principalmente por ocasião da entressafra, sem contar que a alta de preço do açúcar no mercado externo e o crescimento da exportação do álcool também foram determinantes.
É difícil travar uma batalha com um setor unido que jamais cederá à s pressões, como tentou o governo, no primeiro trimestre do ano, para conter o desabastecimento e altas constantes do preço nas bombas. Havia indícios de que os usineiros podiam estar fornecendo menos para conseguir aumento nos preços.
Passado a tempestade de intrigas, o abastecimento do produto parece estar garantido. Não há mais desculpas porque a safra já começou e a oferta tende a ser maior, desde que se mantenha o equilíbrio entre a exportação e o consumo interno. Com a abertura das válvulas, o preço do combustível já caiu cerca de 30% nas distribuidoras, porém, a caminho dos postos, o repasse aos postos se evaporou, e os consumidores não viram ainda o cheiro alcoólico do desconto nas bombas. Vamos aguardar.
Tudo o que está ocorrendo demonstra a falta total de planejamento. Se não houver um ponto estratégico para debelar o "fogo canavieiro", o governo continuará sofrendo a pressão do lobby automotivo e do sucroalcooleiro, enquanto a população paga para ver o embaraço, não sabendo se faz a opção pela gasolina ou pelo álcool, ou ainda, se fica apenas com o bagaço.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br
A Publicação é autorizada, CONSERVANDO TODOS OS CRÉDITOS E
CITANDO A FONTE: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br




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