São Paulo, 26/07/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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DOR SILENCIADA ATÉ À MORTE
Por Dr. phil. Sônia T. Felipe
FONTE: Olhar Animal

Nem tudo o que causa imensa dor aos cavalos, usados para tração e atração turística, ou montados por esse mundo afora, se pode ver em fotos. As fotos mostram muitos sinais que evidenciam a tortura sofrida pelo animal. Mas há lesões internas que fotos não podem mostrar, é preciso exames médicos.
Por exemplo, só exames mais específicos (endoscopia, cintilografia, radiografia e outros testes neurológicos) podem comprovar a aflição desses animais sensíveis, inteligentes e racionais, por conta das úlceras estomacais.
Só exames mais específicos podem constatar a agonia deles por respirarem pela boca e com a garganta seca (por causa do freio que pressiona a língua e não os deixa engolir normalmente a saliva), levando para dentro do pulmão tudo que é partícula de poeira, aspirada na marcha rápida.
Só exames radiográficos e similares podem constatar as hemorragias pulmonares, causadas pelo esforço extraordinário de puxar cargas ou da velocidade, no caso das corridas.
Só exames cuidadosos podem conferir as inflamações e dores de artrite e artrose, dos nervos e tendões, das cartilagens que formam as patas.
Só exames atentos podem localizar as lacerações na derme por conta das chicotadas, daqueles paus e correias, atritando seus corpos ao puxarem as cargas, e, no caso da monta, também das esporadas.
Enfim, a agonia dos cavalos e das éguas é infinita. Quase não há uma parte do corpo desses animais, usados para tração e montaria, que não esteja lesada e não cause imensa dor a eles.
Apesar de terem esse corpo extremamente delicado, eles parecem fortes e resistentes. Mas não são. São seres com organismos extremamente sensíveis e vulneráveis, quando escravizados e privados da liberdade que seu éthos equino requer.
E, éguas e cavalos, do mesmo modo que vacas e bois, não expressam a dor, pois evoluíram com inteligência e sensibilidade para saber que se o fizerem, mesmo os condenados à escravidão pela doma humana, serão mortos, literalmente, por seus predadores.
É mais barato comprar um cavalo novo para substituir o cavalo detonado pelo uso, do que pagar tratamentos para tantos males que a doma e a escravização causam a eles.
A morte é o destino do animal que expressa sua agonia infinita. E sua agonia só é "vista" pelo homem no dia em que a égua e o cavalo caem mortos, ainda atados aos apetrechos da carroça ou da charrete que puxaram à custa de toda essa dor e do tormento que os abate no meio da rua. E o feitor dessa escrava ou desse escravo pensa que essa morte foi sem aviso prévio. Não foi.
O animal avisou, do modo que podia, que estava dorente, que estava sofrente. Mas a mente e a linguagem humana são atrofiadas demais para captar e traduzir os sinais da dor e do sofrimento emitidos pela linguagem equina.
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Sônia T. Felipe | felipe@cfh.ufsc.br
Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética - Ética Animal - Univ. de Lisboa (2001-2002).
Autora dos livros Acertos abolicionistas: a vez dos animais (Ecoânima, 2014); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2007;2014); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos(Ecoânima, 2012); Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003).
Colaboradora nas coletâneas, Somos todos animais (ANDA, 2014); Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal (Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004);Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).
Link para C. Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4781199P4

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