São Paulo, 18/12/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Por Dr. phil. Sônia T. Felipe

E, ontem, feliz da vida por ver produtos de cosmética vegana oferecidos numa loja do Mercado São Jorge (orgânico), aqui em Floripa, vou direto a um shampoo escrito orgânico, leio o rótulo e digo pra vendedora: "Que pena! Este shampoo é orgânico, mas não é vegano!".

Ela: "Se o produto cosmético é orgânico é porque é vegano".

E eu: "Não mesmo. Veja, ali na banca dos hortifrutigranjeiros estão vendendo queijo e ovos "orgânicos". Não são veganos, são orgânicos.Se este shampoo fosse vegano eles fariam questão de escrever aqui no rótulo. Se não escrevem, é porque contém algo derivado de animais ou é testado em animais, ou ambos. Há produtos cosméticos "orgânicos" que usam lanolina, leite de cabra, derivados de animais que eles dizem que foram criados "felizes" e sem pesticidas na ração".

Ela: "Não mesmo. Se é produto cosmético orgânico, é porque é vegano. A senhora precisa se informar melhor."!

Eu preciso, mesmo, será? Preciso me informar melhor sobre essas lojas que botam vendedoras desinformando as pessoas sobre conceitos tão fundamentais.

Orgânico só quer dizer que é sem venenos... não é sinônimo de vegano.

Vegano é sem venenos e sem sofrimento e morte de qualquer animal, tenha lá o tamanho e formato que tiver.

Mas para comedoras de leite, ovos, manteiga e carnes "felizes" uma coisa é a outra, sem problemas. Menos para os animais.

Saí com meu carrinho de verduras "orgânicas" e dei as costas sem nem dizer tchau, para não perder a decência ali mesmo, no ato.

Ainda que sejam produtos "orgânicos", que não tenham sido testados em animais, esses produtos contêm derivados de animais.

Dou um exemplo: OX. Está escrito bem lá nos rótulos: não testado em animais. Entretanto, não há um produto sequer na linha deles que seja vegano, porque todos contêm derivados bovinos ou de outros animais.

Então, para não deixar ninguém se enrolar: orgânico é algo produzido sem adubos químicos ou biocidas para controle de organismos indesejáveis.

Não testado em animais não quer dizer nada para um vegano, porque pode conter lanolina, corante natural carmim, glicerina animal, leite em várias formas disfarçadas etc.

Para ser vegano é preciso que o produto não contenha nada derivado de animais ou de secreções deles e não tenha sido testado neles.

E ainda resta a questão do cultivo das ervas e de outros alimentos. Se usou excrementos de animais, já não é um cultivo vegano, embora seja "orgânico".

Sim, excremento e urina são produtos de organismos animais, portanto, naturais, não sintéticos.

E quando eles escrevem lá: corante natural carmim, não mentem. O inseto cochonilha é "natural". Mas eles matam 150 mil para obter 1 kg de pó vermelho usado como corante em tudo que é bala, gelatina, creme hidratante, maquiagem, batom etc. E aqui os nomes sob os quais indicam o uso do corante carmim nos produtos alimentares ou cosméticos:

– INS 120;
– E120;
– Corante Natural Carmim de Cochonilha;
– Corante Natural Ácido Carmínico;
– Em cosméticos, pode aparecer como CI 75470 INS 120


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Sônia T. Felipe | felipe@cfh.ufsc.br

Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética - Ética Animal - Univ. de Lisboa (2001-2002). Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal (Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).

Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br; publica no Olhar Animal (www.pensataanimal.net); Editou os volumes temáticos da Revista ETHIC@,www.cfh.ufsc.br/ethic@ (Special Issues) dedicados à ética animal, à ética ambiental, às éticas biocêntricas e à comunidade moral. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014). Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana.

Link para C. Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4781199P4

Fonte: www.olharanimal.org

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