São Paulo, 18/12/2017        
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A dor


Mesmo caracterizada como essencial para a integridade do indivíduo e a sobrevivência da espécie, a dor física é uma sensação que demanda muitos medicamentos. Para alguns, ela é tolerável, para outros, insuportável. Seu limiar varia de indivíduo para indivíduo. Sem comentar o mecanismo completo, sabe-se que nosso organismo é constituído de uma malha de terminações nervosas, que as conduzem aos nociceptores, um receptor sensorial. Estão envolvidos o córtex cerebral, o sistema límbico, a medula espinhal e nervos periféricos, que detectam os tipos de dores e instantaneamente os neurônios são estimulados e liberam opióides, serotonina e dopamina, para amenizá-las e controlar os impulsos. Funcionam como moduladores, analgésicos ou calmantes. Quando algo é afetado, a dor pode ser mais intensa e requer um acompanhamento médico. Nada de automedicação.
Não há como se sentir bem com uma queimadura, dor de estômago, de dente, cálculos renais, dor de cabeça, cirurgias, fraturas, hérnias, enfim, qualquer traumatismo ou infecção adquirida, sem uma medicação adequada. O chazinho da vovó perdeu espaço.
Mas um tipo de dor que atormenta muito, independente de sexo, difícil de aceitá-la, é a emocional, uma tendência de aquisição cada vez maior, diante dos tempos modernos. Geralmente ela surge com a perda de emprego, de um ente querido, estresse, às cobranças, de relacionamentos conturbados, traição, frustrações, ingratidão, estupros, assédio moral, entre outros fatores. No estado de depressão, o indivíduo perde sua autoestima, se isola, sente medo, ansiedade, irritação, mau humor, desesperança, fadiga, inapetência, insônia, tristeza, insegurança e impaciência. É uma dor indescritível, que afeta todo o organismo. Existe, inclusive, a propensão em adquirir a síndrome do pânico, uma reação abrupta de medo, de forma inesperada, infundada. É passageira, mas as sensações são muito desagradáveis, de pavor, de desespero, de muita ansiedade. No início, as crises são breves, porém, com as recorrências tornam-se mais duradouras e mantém a pessoa refém do próprio medo de recaídas, cada vez que se lembre da crise. Podemos localizar em nossa vida fases em que uma dor emocional permanece instalada por longo período. Muitos dos suicídios são praticados por aqueles que não veem soluções. Outros buscam a fuga, o alívio, o entorpecimento, através da ingestão de álcool e outros tipos de drogas, as ilícitas, sem saber do efeito rebote - uma ação inesperada e oposta ao estímulo que a originou. Em todas as situações citadas, o desarranjo neuroquímico é muito grande.
Será que alguém não sente dor? Pois existe e gostaria de experimentá-la. São pessoas denominadas de imunes a dor física. É muito perigoso, já que o portador está sujeito a lesões gravíssimas, por conta dos perigos que estão em sua frente e precisa de ajuda, de conselhos, de vigilância. Não sofre com traumatismos, se aventura perigosamente, se machuca, sem sentir absolutamente nada. Estudos mais recentes, indicam que isso ocorre devido a uma mutação em um gene, que acaba por afetar uma espécie de canal eletroquímico que liga os chamados nervos periféricos ao sistema nervoso central. O sinal emitido não chega ao cérebro. É congênito.
Nossa neuroquímica é muito complicada, mas a dor e o medo servem como alerta. Existem medicamentos para todos os tipos de dores e, quando usados com prescrições médicas, o indivíduo mantém uma boa qualidade de vida.

JOÃO SALVADOR é biólogo
E-mail: josalv@uol.com.br

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