São Paulo, 25/06/2017        
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VENDA E ABATE DE JUMENTOS
Ivana Maria França de Negri

O jumento, mais conhecido como jegue, e também asno ou jerico, é um animal bastante dócil. E bíblico, pois levou Maria em seu lombo e aqueceu o Menino Jesus na manjedoura. Agora, é o mais novo alvo da maldade humana.
A imprensa noticiou que o nordeste vai exportar cerca de 300 mil jegues por ano para a China, num acordo feito entre os dois governos. Segundo o representante da empresa, Xiangquing Meng, a China abate 1,5 milhão de jegues por ano - 300 mil produzidos no país e o restante importado da Índia e da África. Esperam aumentar o abate em 550 mil/ano. A finalidade seria o aproveitamento do animal em experiências de laboratório na indústria cosmética e para abastecer o mercado chinês que não tem limites quando o assunto é proteína animal. Lá tem gosto pra tudo, desde carne de cachorro a baratas fritas, isso mesmo, baratas e não batatas, para quem leu rapidamente.
O MP do Rio Grande do Norte promoveu na semana passada uma degustação de carne de jumento e propõe que essa carne seja servida aos detentos do sistema penitenciário do estado. Segundo o promotor de Justiça Silvio Brito, “o jumento era um objeto de trabalho, mas tornou-se obsoleto com o uso de motos e tratores. É incalculável o número de animais abandonados e soltos nas rodovias causando acidentes”. Dados da PRF informam que até o dia 10 de março deste ano foram apreendidos 3.354 animais nas estradas que cortam o RN, a maioria jumentos.
Uma verdadeira “ideia de jerico”, pois para combater o abandono desses animais, vai acabar decretando seu extermínio.
O jegue foi por muitos anos o único meio de transporte dos nordestinos, usado como montaria e transportador de cargas. Deve-se a eles o desenvolvimento dessa região, pois em seu lombo levavam água, madeira, cimento e pedras para construções. Com as facilidades do crédito, as pessoas passaram a comprar motos e agora é nelas que transportam a água e os materiais de construção. As motos são responsáveis pelo aumento do abandono de jumentos que começaram a procriar indiscriminadamente. Quem teve a infeliz ideia de exportá-los para ajudar na economia, esqueceu a contribuição que esse animal deu para o desenvolvimento.
Mas todo progresso tem um preço. As pessoas deixam empregos de carteira assinada para se beneficiarem do bolsa-família, e vão tendo mais filhos para receber o bolsa-maternidade. E com o dinheiro e facilidades desses auxílios, abandonam jegues e compram motos. E o que fazer com tantos jegues morrendo de fome à míngua? A ideia foi exportar para a China e ajudar na economia, sem pensar nos séculos de trabalhos forçados desse valente animal. Infelizmente parece que o futuro deles será mesmo virar salsicha, mortadela e linguiça.
Com as facilidades de locomoção, o campo vai sendo abandonado e as cidades vão se alargando. Já não há mais espaço para os pobres jumentos que são escorraçados e agora arregimentados em currais para procriar e serem vendidos para a China.
O poeta José Pedrosa escreveu:”Da mesma forma que a máquina tira do homem o ganha-pão, essa tal de motocicleta é um bicho sem coração, porque traz desassossego, tirando todo emprego do jumento, nosso irmão”.
A presidente da União Internacional de Proteção Animal (Uipa/CE), Geuza Leitão, disse ser contrária a esse acordo porque a própria Constituição Federal, através do artigo 225, no parágrafo primeiro e item 7º, proíbe práticas que provoquem a extinção da espécie ou que submetam os animais à crueldade.
Conclui-se que o homem sempre cria problemas novos e depois não sabe como resolvê-los, e parece que resolver problemas é sempre matar...

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