São Paulo, 16/10/2017        
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LIBERDADE! (Victor Hugo)
Etichete: Poemas


LIBERDADE! (Victor Hugo)
Etichete: Poemas







Com que direito pões pássaros em gaiolas?

Que direito tens tu, que o das aves violas?Por que as roubas das nuvens... auroras... nascentes?Por que privas da vida esses seres viventes?Homem, tu crês que Deus, o Pai, faria nascerAsas p’ra que à janela as fosses suspender?

Se não o fazes, hás de viver descontente?Que é que te fizeram esses inocentesPara que os condenasses, com a fêmea e seu ninho?A desventura deles é o nosso caminho!Talvez o sabiá, que do seu galho roubamos,E o infortúnio que aos animais nós causamosE a escravidão inútil que impomos às bestasQual Nero não cairão sobre nossas cabeças?E se o cabresto então desprendesse os grilhões?Oh! Quem sabe o desfecho de nossas ações,E que fruto nefasto estarão produzindoAs cruezas que na Terra perpetramos rindo?Quando aprisionas sob o ferro de uma gradePássaros feitos para o azul da liberdade,Os nadadores do ar que arribam por aqui – Pintassilgo, chopim, pardal ou bem-te-vi –,O bico ensanguentado deles – ouve bem! –Ao se bater nas grades fere a ti também!

Tem cuidado com teu julgamento furtivo!Deus olha em toda parte onde grita um cativo.És incapaz de ver que és sórdido e cruel?A esses detentos abre a porta para o céu!Aos campos, rouxinóis! Aos campos, andorinhas!Perdoai o que fizemos às vossas asinhas!E a ti, pois, da justiça as misteriosas redes,Pois são masmorras que ornamentam tuas paredes!Das treliças com fios de ouro nascem bastiões;A perversa gaiola é a mãe das prisões.Respeita o augusto cidadão do ar e do prado!Tudo aquilo que aos pássaros é confiscadoO destino, que é justo, toma dos humanos.Temos tiranos, pois somos também tiranos.Queres ser livre, ó homem? Pois pensa primeiro,Se tens em casa um testemunho prisioneiro...

A sombra ampara aquilo que parece instável.A imensidade inteira a essa ave miserávelVem se prostrar; e te condena à expiação.É estranho, ó opressor, que grites: “opressão!”Tens sorte agora enquanto tua demência arrasaA sombra desse escravo no umbral da tua casa;Porém essa gaiola com a ave infelizEncarna nessa Terra triste cicatriz.



Tradução de Raul Passos




Com que direito pões pássaros em gaiolas?

Que direito tens tu, que o das aves violas?Por que as roubas das nuvens... auroras... nascentes?Por que privas da vida esses seres viventes?Homem, tu crês que Deus, o Pai, faria nascerAsas p’ra que à janela as fosses suspender?

Se não o fazes, hás de viver descontente?Que é que te fizeram esses inocentesPara que os condenasses, com a fêmea e seu ninho?A desventura deles é o nosso caminho!Talvez o sabiá, que do seu galho roubamos,E o infortúnio que aos animais nós causamosE a escravidão inútil que impomos às bestasQual Nero não cairão sobre nossas cabeças?E se o cabresto então desprendesse os grilhões?Oh! Quem sabe o desfecho de nossas ações,E que fruto nefasto estarão produzindoAs cruezas que na Terra perpetramos rindo?Quando aprisionas sob o ferro de uma gradePássaros feitos para o azul da liberdade,Os nadadores do ar que arribam por aqui – Pintassilgo, chopim, pardal ou bem-te-vi –,O bico ensanguentado deles – ouve bem! –Ao se bater nas grades fere a ti também!

Tem cuidado com teu julgamento furtivo!Deus olha em toda parte onde grita um cativo.És incapaz de ver que és sórdido e cruel?A esses detentos abre a porta para o céu!Aos campos, rouxinóis! Aos campos, andorinhas!Perdoai o que fizemos às vossas asinhas!E a ti, pois, da justiça as misteriosas redes,Pois são masmorras que ornamentam tuas paredes!Das treliças com fios de ouro nascem bastiões;A perversa gaiola é a mãe das prisões.Respeita o augusto cidadão do ar e do prado!Tudo aquilo que aos pássaros é confiscadoO destino, que é justo, toma dos humanos.Temos tiranos, pois somos também tiranos.Queres ser livre, ó homem? Pois pensa primeiro,Se tens em casa um testemunho prisioneiro...

A sombra ampara aquilo que parece instável.A imensidade inteira a essa ave miserávelVem se prostrar; e te condena à expiação.É estranho, ó opressor, que grites: “opressão!”Tens sorte agora enquanto tua demência arrasaA sombra desse escravo no umbral da tua casa;Porém essa gaiola com a ave infelizEncarna nessa Terra triste cicatriz.

Tradução de Raul Passos

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