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DESOBEDIÊNCIA VEGANA - ELLEN AUGUSTA VALER DE FREITAS
Afogando o ganso, lavando a égua
11 de agosto de 2013 às 16:22

A origem de muitas expressões e vocábulos vem da prática milenar e comum de se abusar sexualmente de animais. Como este é um tabu, difícil de se abordar porque ninguém ‘sabe’ do que estamos falando, encontramos sempre uma explicação mais bonitinha para certas expressões idiomáticas.
Não sou a favor de se abolir o uso de gêneros nas palavras ou outras proposições desse porte (mas acho a ideia interessante, pois é preciso criar novos termos), creio que a língua é machista simplesmente por vir de uma cultura machista milenar que se preserva até nos genes. A mudança, portanto, tem de ser na estrutura social e mental. Não adianta mudar a pronúncia ou ignorar palavras que existem. Depois da mudança essencial, a língua, viva, muda naturalmente.
Um livro que aborda corajosamente o assunto é ‘Ecce Bestia’, do psicólogo Ezio Flavio Bazzo. Segundo suas palavras, os animais são “adotados, adestrados, amados, rejeitados, abusados, escravizados, enjaulados, acorrentados, feitos de cobaia e por fim encaminhados ao matadouro”. Na frase “tenho visto muitas mulheres deslumbrantes ao lado de verdadeiros animais”, ele usa a expressão animais de forma pejorativa, exatamente para que visualizemos uma realidade inquestionável. Se existem os bárbaros e eles convivem entre nós, alguém vive ao seu lado e consente com toda a barbárie. Nunca se questiona o passado/presente de ninguém, nunca se usa o pensamento crítico. Enredada na sociedade que a quer patética, a mulher jamais usa do senso observador, nunca constrói um modelo feminino real. Apenas se entrega à paixões cegas, com verdadeiros trogloditas, machistas disfarçados de ‘intelectuais libertários’, cínicos, falsos ou pequenos tiranos. De pronto, perde todo o contato com outras mulheres, não quer ouvir nem ver as demais, que considera tão inferiores quanto si. Por isso é que os homens a querem tão infantil (até mesmo na hora do sexo), vestida de menina e desprovida de qualquer atitude adulta.
E as crianças? Pessoas dos 15 aos 40 anos, imaturas, vêm gerando essas criaturas inocentes que caem de paraquedas neste mundo hostil, vitimizadas com as imposições do consumo de carne, coisificação e inferiorização do que é diferente ou frágil!
“Minha intenção é de apenas ‘navegar’ pela ‘paixão animal’ desses hominídeos e, se possível, entender por que é que se conscientemente fazem tanta questão de colocar-se bem acima das bestas, inconscientemente, na intimidade, precisam buscar lá no estábulo ou lá no galinheiro a sua auto-estima, o seu gozo e a realização dos seus desejos”, escreve Bazzo. A ignorância feminina sobre o assunto é tamanha que, até mesmo em muitos livros sobre o assunto, escritos por mulheres, não há referência sobre as que abusam de animais.
E o conjunto chamado pelos religiosos de ‘família natural’ é que vai gerar crianças e jogá-las no mundo, entregá-las de bandeja a abusadores de animais, de crianças, e às escolas que as tratam como idiotas e não sabem lidar com o assunto. Calma, seu preconceituoso pacato, que é contra os Direitos Humanos e que vibra em frente à TV, não estou falando dos ‘pobres-pretos-putas’ que estão nas delegacias, prisões e masmorras brasileiras, muitas vezes torturados para confessar crimes de estupros/abusos. (Quem lê e ouve as notícias sabe do que se trata). Estou falando de pessoas acima de qualquer suspeita. Ricas, respeitáveis, que vão na sua congregação religiosa e acariciam suas crianças. Estou falando de quem está solto, aí perto de sua casa, e que você não sabe quem é por que não tem senso crítico, está muito mais preocupado em gritar ‘morte e tortura aos presos’ em frente aos programas medíocres da televisão. Estes pais ausentes que deixam seus filhos frequentarem a casa, e outros lugares onde vivem aqueles de quem puxam o saco, jamais vislumbram que a violência contra crianças e animais tem uma raiz comum e difícil de se dizimar.
FONTE: www.anda.jor.br

Os trechos entre aspas foram retirados do livro Ecce Bestia – Libertinagem com animais, de Ezio Flavio Bazzo, Narcisus publicadora & Cia – Brasília DF – Brasil, outubro de 2001.
Ellen Augusta Valer de Freitas é licenciada em Biologia pela Unisinos/RS. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas, tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia. Trabalha para uma ONG nacional em pesquisa de produtos e direito do consumidor, é articulista da Agência de Notícias dos Direitos Animais, membro-fundadora do grupo ativista Vanguarda Abolicionista. Atualmente é professora de Ecologia e Saúde Ambiental, revisora de textos, produtora de conteúdo Web e blogueira. Tem 33 anos, é vegana, ativista pelos direitos animais, feminista e casada com um jornalista também vegano e ativista.

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