São Paulo, 18/10/2017        
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O INFERNO SÃO OS OUTROS – por Martha Follain

“Obrigados a tolerar-se mutuamente, eles descobrem o verdadeiro inferno: uma consciência não pode furtar-se a enfrentar outra consciência que a denuncia”. (Sartre)

A peça teatral “Entre Quatro Paredes” de Jean-Paul Sartre (1905-1980: filósofo existencialista francês) de 1944, diz que a convivência é, verdadeiramente insuportável e, no entanto, é o que nos torna humanos. A ação transcorre no inferno, onde três personagens interagem.
“Após morrer, três indivíduos vão parar no inferno (não se trata do estereotipado inferno cristão, com diabinhos, fornalhas etc.). Garcin, era um homem de letras. Pretendia ser um herói e foi um covarde. Seu maior tormento é que suas novas companheiras desvendam sua condição de covardia, que não pode ser mudada. É em vão que luta para fugir da pecha de covarde. Estelle é uma fútil burguesa que ascendeu socialmente pelo casamento. Em nome do conforto, assassinou o bebê que teve com o amante e vê este, tomado pelo desgosto, suicidar-se. Tenta redimir-se atribuindo sua culpa ao destino. Deseja a paixão como forma de escapar à realidade. Inês é homossexual, funcionária dos correios, agressiva, admite suas culpas. É a única que não procura se desculpar e compreende estar no inferno. O ódio a alimenta; sádica, goza com o sofrimento dos outros.
Não foram parar no inferno à toa: cada um responde por um crime. Estão confinados numa sala, sem espelhos, sem necessidade de se alimentar ou de dormir, por toda eternidade. São obrigados a se ver através dos olhos dos outros; olhos esses que não teriam sido os escolhidos para se conviver. Vaidosa e egoísta, é patético o desespero de Estelle por um espelho. Inês arregala os olhos para que ela possa se enxergar: ela se vê, tão pequenina... Tudo isso os incomoda bastante, pois não conseguem enganar uns aos outros por muito tempo e, aos poucos vão se constrangendo cada vez mais.
Inês tentará conquistar Estelle, que a repudiará. Estelle, por sua vez, buscará a paixão de Garcin, que a ignora. Inês, interessada em Estelle, jogará um contra o outro, explicitando as faltas deploráveis de ambos; faltas essas que nenhum quer admitir. Numa convivência insuportável, Estelle, revoltada, tenta matar Inês, mas ela dá boas gargalhadas: já está morta. Garcin tenta, inutilmente, convencê-la de que não é um covarde. Não conseguindo, tenta se vingar amando Estelle diante de Inês.
Sem que possam sequer expiar suas faltas, descobrem o horror da nudez psíquica que os outros lhes evidenciam. Está revelado o verdadeiro inferno: a consciência não pode furtar-se a enfrentar outra consciência que a denuncia, por isso: “o inferno são os outros”. Luciene Félix (Professora de Filosofia e Mitologia Greco-Romana da ESDC).
O desafio é viver com o outro que nos julga e conviver com os conflitos. Cada um tem suas convicções e suas verdades, que se chocam com as do outro. Mas há a liberdade de nossas próprias escolhas. Os confrontos são os confrontos das liberdades sendo exercidas, e o ser permanece livre para escolher estar ou não sob a dominação do outro. Na peça, Sartre afirma que um homem “nada mais é do que a soma das escolhas que fez durante sua vida”.
Jamais iremos controlar pensamentos e ações de outrem, assim como ele não nos controlará. E o limite é a liberdade. Fundamentalmente, cada ser permanece livre em sua consciência. Se o outro nos expõe e nos desnuda a nossos próprios olhos, ele também nos aponta nossa humanidade essencial, e através desse olhar aprendemos o que nos identifica. Através daquilo que não gostamos em nós é que vamos degustar a existência com todos os seus sabores. Precisamos do outro, do nosso “inferno”. Fato é que, nossa “natureza humana” não é apenas genética, mas fruto de convivência. Crianças abandonadas que cresceram longe de outros seres humanos (isoladas ou adotadas por animais), comem carne crua, frutas e raízes; andam de quatro e nuas; não falam e emitem grunhidos. A Drª Luci Banks-Leite, professora de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp), afirma: “O homem não nasce humano. Ele possui sim, a capacidade de tornar-se humano. Aprender a falar uma língua, por exemplo, é uma exclusividade humana que só se realiza com o contato com outros que falem. Nem mesmo a postura bípede se desenvolve sem o contato com outros seres humanos”.
Afinal, a relação com o outro é o encontro com nossa própria consciência e primordial humanidade. E existe algo mais infernal e, ao mesmo tempo, mais divino do que conviver?
“ Nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros”.... ( Oscar Wilde )
Martha Follain: Formação em Direito, Neurolinguística, Hipnose e Regressão. Terapia Floral de Bach, Aromaterapia, Terapia Floral de Minas, Fitoterapia Brasileira, Cromoterapia, Cristaloterapia, Terapia Ortomolecular, Bioeletrografia, Terapia de Integração Craniossacral - para animais humanos e animais não humanos. Consultora da “Phytoterápica”.
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