São Paulo, 23/05/2017        
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ESCADA DE JACÓ – por Martha Follain
Jacó foi um dos patriarcas (junto com Isaac e Abraão), do Antigo Testamento da Bíblia e sua história ocupa 25 capítulos do livro do “Gênesis” – patriarca era um líder político com poder militar e religioso. Era neto de Abraão, filho de Isaac e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú, sendo citado como pastor nômade. Era tido como um homem introvertido, de personalidade fraca, sem muitas qualidades e seu nome significa “enganador”. Porém, outras fontes dão o significado de Jacó como “aquele que agarra”, pois no ventre da mãe os gêmeos já brigavam e Esaú nasceu primeiro, com Jacó agarrado a seu calcanhar. Jacó era o preferido de sua mãe.
Esaú perdeu o direito à primogenitura. Primeiramente, quando vendeu esse direito ao irmão em troca de comida (Gênesis 25), e depois graças a trapaças de Jacó, auxiliado por sua mãe, tem usurpada sua posição de sucessor perante seu pai. Esaú e Jacó, conforme a profecia, seriam as origens de 2 nações: os edomitas e os israelitas. Jacó teve 12 filhos, os futuros líderes das 12 Tribos de Israel. A nação foi intitulada com o outro nome de Jacó – “Israel”.
A escada foi imaginada por Jacó num dos seus sonhos. A descrição da Escada de Jacó aparece no Genesis 28:10-19:
“E saiu Jacob de Beer-Shéba, e foi a Haran. E chegou ao lugar ( Makom 13), e pernoitou ali, porque se havia posto o sol. E tomou das pedras do lugar, e colocou-as à sua cabeceira, e deitou-se naquele lugar. E sonhou, e eis que uma escada estava apoiada na terra, e seu topo chegava aos céus: eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela. E eis que o Eterno estava sobre ela, e dizia: “Eu sou o Eterno, Deus de Abraão, teu patriarca, e D”S de Isaac. A terra sobre a qual tu estás deitado , a ti darei-a, e à tua semente . E será tua semente como o pó da terra, e te espalharás ao oeste, e ao leste, e ao norte, e ao sul. E se abençoarão em ti todas as famílias da terra, e em tua semente ... ”. E despertou Jacob de seu sono, e disse: “Certamente o Eterno está neste lugar, e eu não sabia. E temeu e disse; “Quão espantoso é este lugar! Este não é outro que a casa de Deus, e esta é o portal dos Céus ... e chamou o nome daquele lugar Bethel”. (Bethel – a casa de Deus).
Jacó, tendo provocado a ira de seu irmão, por tê-lo enganado, roubando o direito de primogenitura, fugiu para as terras de seu tio Labão. Lá ficou por 20 anos, casando-se com 2 filhas de Labão, Lia e Raquel. Deus diz a Jacó para ele voltar à sua terra (Gênesis 31:3), e ele empreende a viagem de volta com toda sua família e seus bens. Jacó percebeu que seria inevitável um embate com o irmão e Esaú dirigia-se a seu encontro, com um exército de 400 homens.
A família de Jacó havia atravessado o rio, e ele ficou sozinho. Aí, às margens do rio Jabok Jacó luta com um anjo durante uma noite inteira, saindo dessa luta com um ferimento no quadril. Diz a Bíblia em Gênesis 36:26: ...“e viu o anjo que não podia com ele e tocou-lhe na articulação de seu quadril; e deslocou-se a junção da coxa de Jacó no quadril, em sua luta com ele”. Jacó saiu-se da luta como vencedor, mas com uma lesão física permanente na perna. Foi nessa oportunidade que recebeu do anjo vencido o cognome de Israel (que significa “Aquele que Luta com Deus”). A partir dessa noite Jacó passou a claudicar, só andando com a ajuda de um cajado. Afinal os irmãos se reencontraram e se despediram em paz, pois Jacó humilhou-se diante de Esaú e prostrou-se por 7 vezes. Nos capítulos 32 e 33 do Gênesis há a reconcilição dos dois irmãos. Jacó morreu com 147 anos, depois de ter ido ao encontro de José, seu filho, no Egito, tendo permanecido lá por 17 anos.
A escada é um símbolo de ascensão, de elevação gradual ou evolução, de valorização, de razão e faz parte da Simbologia da Maçonaria e de outras antigas escolas iniciáticas (de religiões também): nos Mistérios Persas do Mitraísmo há uma escada de 7 voltas; nos Mistérios de Brahma, uma escada de 7 degraus; nos Mistérios Egípcios a escada do deus Rá ligava o céu à terra; na Cabala a escada é representada pelas 10 Sephiroths ou Imanações de Deus; nos Ritos Órficos o iniciado subia por uma escada de madeira; no Islamismo Maomé teve a visão do anjo Gabriel, que levou-o à presença de Alá por uma escada, etc..
Segundo Vitrúvio (Marcos Vitrúvio Polião, arquiteto e engenheiro romano - viveu no século I a.C.) o número de degraus em todos os antigos templos, era um número ímpar – isso quer dizer que, começando com o pé direito no primeiro degrau inferior, o adepto chegaria com o mesmo pé direito ao entrar no templo, o que era considerado um afortunado presságio. O número ímpar de degraus simboliza a ideia de perfeição, objetivo que o neófito deve almejar atingir. O sistema de filosofia Pitagórica considerava os números ímpares mais perfeitos que os pares. O simbolismo de números maçônicos foi baseado nos estudos de Pitágoras – no sistema maçônico há a predominância de números ímpares: 3, 5, 7, 9, 15, 27.
A maioria das escadas iniciáticas tem 7 degraus, pois o 7 é considerado um número místico: são 7 as cores do arco íris, 7 notas musicais, 7 estados de consciência do homem, 7 raios cósmicos. É o número da vida - a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Os 7 espíritos ante o trono de Deus. Os 7 sacerdotes da Lei Cósmica. Os 7 senhores do Carma. Os 7 ciclos da terra (4 ciclos lunares com duração de 7 dias). A origem do calendário atual. A renovação celular do corpo humano (7 em 7 anos). Os 7 orifícios do rosto humano. A medida reguladora da coesão universal: 7 planetas, 7 divindades, 7 metais, 7 cores, 7 dias da semana, 7 chacras básicos, 7 pecados capitais e 7 virtudes que lhe são contrapostas. A lei da evolução. O número dos adeptos e dos grandes iniciados. Tudo se processa no Universo dentro dum ritmo setenário.
A Escada de Jacó na Maçonaria, simboliza, também, a ligação do céu com a terra. Indica ascensão, elevação espiritual, evolução e a conquista da sabedoria. Daí seu pé estar colocado no piso da Loja, que é característico do mundo material, da terra, e seu topo sobre a cobertura da Loja, que é um símbolo do céu, do espiritual. A Escada está apoiada no Livro da Lei (geralmente a Bíblia), significando que o maçom só poderá iniciar a subida e manter-se nela, respeitando seus ensinamentos (do Livro da Lei). Seus 3 degraus iniciais, representam Fé – a Cruz: simboliza a Sabedoria e a Morte: morte para o mundo profano; Esperança: a Âncora: representa os percalços que devem ser ultrapassados, pois a Âncora representa a fixação na matéria; e Caridade: o Cálice: representa a provação, que será transposta com a Caridade, que é a beleza da alma.
Para o número de degraus há algumas interpretações: ou são 7 os degraus, ou a Escada tem o número de degraus conforme o Rito (33 degraus no R.E.A.A, 13 no Rito de York, 3 no Rito de Schröder, etc.), ou seus degraus são tantos quantas são as virtudes necessárias ao aperfeiçoamento de cada maçom.
Na Maçonaria a Escada representa o caminho para a perfeição. A Escada de Jacó simboliza progresso, evolução. A Maçonaria, sendo uma associação de homens livres cultivando os princípios da liberdade, democracia, igualdade, evolução intelectual e fraternidade, trabalha o ideal de aperfeiçoamento do maçom para chegar mais perto da perfeição. Fundamentado na Simbologia, o ensinamento maçônico só pode ser auto didático e pessoal - para cada maçom, será o fruto dos seus estudos e de suas próprias interpretações. Segundo Jacob Bronowski (1908-1974: filósofo, matemático e cientista polonês): “o mundo que o espírito humano conhece e explora não sobrevive sem conceitos simbólicos. O símbolo e a metáfora são tão necessários à ciência, como à poesia”. A Escada de Jacó indica também elevação espiritual, e a conquista da sabedoria. Porém, a descida da escada pode representar o que há de mais sombrio, o que está oculto e a própria degradação moral.
A Maçonaria, ensina o aperfeiçoamento constante, através do estudo, da disciplina e da vigilância. Cada maçom escolhe como “subir a sua escada”.
No processo de aperfeiçoamento a criatividade e flexibilidade estão presentes – o maçom é um livre pensador e livre investigador da verdade.
A Ordem, conduzindo seus adeptos a subirem a escada simbolicamente, leva-os ao equilíbrio e desenvolvimento pessoal, para atingirem o ideal da perfeição.
A Maçonaria incorporou alguns princípios éticos do Antigo Testamento, remontando ao Judaísmo. Em sua Simbologia há referências ao Templo de Salomão, Estrela de Davi, Escada de Jacó, etc.. E por que a Ordem adota símbolos do Cristianismo, não sendo uma associação religiosa? No tempo da Maçonaria Operativa, na Idade Média, século XIII (e termina com a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717), a igreja católica era a religião predominante na Europa e o catolicismo representava o Estado. Assim a Ordem, muito compreensivelmente, adotou algumas alegorias e Simbologia cristãs. Na fase Especulativa da Maçonaria, século XVIII em diante, esses símbolos já haviam se tornado tradição e permaneceram no ideário maçônico.
Martha Follain – Formação em Direito, Neurolinguística, Hipnose, Regressão. Terapia Floral de Bach, Aromaterapia, Terapia Floral de Minas, Fitoterapia Brasileira, Terapia Ortomolecular, Terapia de Integração Craniossacral, Cromoterapia, Cristaloterapia, Bioeletrografia, Psicoterapia Holística, Terapia Homeopática. Atendimentos e cursos à distância – www.floraisecia.com.br
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