São Paulo, 23/11/2017        
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Gripe aviária
JOÃO SALVADOR
Certos tipos de doenças são resultantes da intromissão humana em áreas selvagens e de suas atividades exploratórias. Os animais silvestres ficam expostos às doenças humanas, gerando a poluição patogênica. Os patógenos, neste caso, com remendos e emendas genéticas, se especializam, formam novas linhagens pelas constantes mutações e voltam potencializados, com alta capacidade infecciosa para os humanos. Driblam todo seu sistema imunológico.
Ninguém respeita a lei da sustentabilidade, da consistência ecológica. O amontoado de bois, aves, porcos, coelhos e outros bichos, em fazendas industriais, formam um ambiente propício às mutações virais, às zoopatias.
Muitos devem se lembrar da influenza aviária H5N1 e do abatimento impiedoso de galinhas, patos e dos gatos selvagens (civetas) e do mal da vaca louca, com aquelas imagens chocantes dos matadouros entulhados de carcaças ensanguentadas de bovinos, ovinos e suínos, cuja ardência das fogueiras, com suas extensas colunas de fumaça, lembrava os campos de concentração nazista.
Será que alguém ainda se lembra da famosa frase: “Ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil”? Hoje, ambos existem, o Brasil continua no seu marasmo político de corrupção, de violência extrema, enquanto as cortadeiras demonstram exemplo de sociedade organizada, sob controle.
Agora surge, no "radar" do cardápio epidemiológico chinês, o vírus H7N9, que desde março, quando foi identificado, 126 pessoas foram contaminadas. Entre elas, 28 morreram e outras dezenas estão internadas em estado crítico.
Para os especialistas, a nova gripe aviária é uma ameaça séria, pois o novo vírus resultou de duas mutações, e, se outras ocorrerem, a possibilidade de uma estirpe deixar o seu hospedeiro, no caso as aves, e espalhar-se pelo ar, pode ser trágico, catastrófico para a humanidade. Sim, claro, por causa da possibilidade de passar de pessoa para pessoa. Se isso vier a ocorrer, uma pandemia pega a medicina de surpresa. Ainda é cedo para que isto se confirme, mas a preocupação é grande. Diferente da epidemia do H5N1, o novo vírus não é letal para as aves, o que torna mais difícil de rastrear a extensão da epidemia chinesa.
Mas vejam: O H1N1 "gripe suína" pandemia de 2009, que surgiu no México na mesma época do ano, como o H7N9, contaminou cerca de 60 milhões de pessoas no mundo e matou 12mil. A gripe espanhola de 1918, chamada de uma das pragas mais mortíferas da história humana, em época de guerra, de baixa resistência dos soldados, tinha uma taxa de mortalidade de apenas 2%. Tempo de recursos escassos, não havia os antivirais.
Por outro lado, é uma insensatez dizer que a alimentação dessas aves com os produtos transgênicos, ajudou na mutação dessa nova espécie de vírus. É quase que certo que haja a influência europeia, que adota e difunde um viés mais ideológico e menos científico, sobre os produtos geneticamente modificados.
O surto de gripe aviária na China levou ao abate de milhares de aves e reduziu, inclusive, as perspectivas de uso de grãos para ração, como o farelo de soja, que é insumo importante para rações. Com isso, a exportação de soja do Brasil para a China será reduzida.
Não será o "Armageddon vírus", não. Ele está sendo bem investigado, e logo surgirá uma vacina. Tudo será esclarecido, resolvido e logo esquecido. Não seremos derrotados. Está tudo dominado, ninguém deve ficar ansioso pelo risco de morrer. Para mim, a morte por pestes, desastres naturais e confrontos étnicos, faz parte do controle biológico das populações.

JOÃO SALVADOR é biólogo
E-mail: salvador@cena.usp.br

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