São Paulo, 26/09/2017        
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ARTIGOS     
 
Carne de cavalo e de outros bichos
Ivana Maria França de Negri

Há alguns dias desencadeou-se uma imensa polêmica no Reino Unido, abrangendo toda a comunidade europeia, a respeito de produtos que continham carne de cavalo em sua composição, mas eram vendidos como produtos bovinos.
Os EUA se pronunciaram imediatamente proibindo a importação de carne procedente dos países europeus acusados pelo “escândalo”, como Alemanha, França, Itália, Espanha e Eslovênia, todos envolvidos no impasse. Em cerca de 15 países da Europa foram suspensas as vendas de almôndegas que acusaram a presença de carne equina.
Li várias reportagens e assisti na TV os comentários de pessoas incrédulas e uma até confessando ter nojo do hambúrguer feito com carne de cavalo.
Será que os caros leitores já pararam para se perguntar o que é feito dos cavalos velhos, dos burricos que puxaram carroças a vida toda e depois, quando já muito debilitados, são abandonados ou vendidos em leilões, bem baratinho? Ninguém nunca foi apurar o destino deles? Geralmente são arrematados, o lote todo, por um preço irrisório. O que o comprador faz com esse lote de cavalos velhos, doentes e maltratados? Duvido que vai lhes proporcionar uma velhice tranquila, num pasto verde, com sombra e água fresca. As pessoas não costumam fazer esse tipo de caridade, com raríssimas exceções.
A imprensa noticiou recentemente que o nordeste iria exportar cerca de 300 mil jegues por ano para a China, num acordo feito entre os governos brasileiro e chinês. Isto porque, esse animal foi por muitos anos o único meio de transporte dos nordestinos, usado como montaria e transportador de cargas. Inclusive, deve-se a eles o desenvolvimento dessa região, pois era em seu lombo que levavam água, madeira, cimento e pedras para construções. Com as facilidades do crédito, as pessoas passaram a comprar motos e agora é nelas que transportam a água e os materiais de construção. As motos são responsáveis pelo aumento do abandono de jumentos que começaram a procriar em diversos locais. Alguém teve a infeliz ideia de exportá-los para acabar com a “praga” e ao mesmo tempo, ajudar na economia.
A finalidade seria o aproveitamento do animal em experiências de laboratório na indústria cosmética, e o abate para abastecer o mercado chinês que não tem limites quando o assunto é proteína animal. Lá tem gosto pra tudo, desde carne de cachorro, de gato, de macaco, a baratas fritas, isso mesmo, baratas e não batatas, para quem leu rapidamente. E penso também, que nunca investigaram de que material são feitas as salsichas, mortadelas, linguiças e salames, embutidos de procedência duvidosa.
Em alguns países é cultural comer carne de cachorro, e as pessoas aqui no Brasil ficam horrorizadas. Em outros lugares, é comum o consumo de carne de avestruz, de rãs, até de macaco, sendo que aqui no Brasil, a de gado é a mais consumida. Só que aos olhos do povo indiano, é um sacrilégio, pois a vaca é um animal sagrado.
Como vegetariana de longa data, fico a me perguntar, qual a diferença entre consumir carne de cavalo, de boi, de coelho, de carneiro, de porco, de gato, de onça, de cachorro, de peixe, se tudo é carne de animal, um pedaço cadavérico em decomposição?
Quem está certo? Quem está errado? Quem está com a razão?
Não estou aqui para julgar nem doutrinar ninguém, apenas expus os fatos para reflexão.



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