São Paulo, 16/10/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
A natureza do homem
JOÃO SALVADOR

Desde a aurora dos tempos o ser humano amou e odiou o animal; fantasiou-o, invejou, rejeitou, humilhou e o exaltou. Depois de procurar parecer-se com ele, colocá-lo sob seu domínio, pela domesticação ou escravidão, tornou-o como sua coisa, seu joguete, sua propriedade ou mercadoria. A relação homem/animal sempre dependeu, principalmente, da psicologia profunda do homem. O cão, por exemplo, pode ser seu melhor amigo e também seu bode expiatório, que às vezes pode ser monstruoso no imaginário humano. Enquanto os animais comunicam, o homem somente fala, e, na maioria das vezes, para si próprio. De senhor do planeta passou a tirano. Um impiedoso predador, pilhando as riquezas naturais, saqueando o patrimônio que herdou, por julgar-se depositário único.
Existem quatro leis básicas da ecologia propostas por Barry Commoner. Na primeira, tudo, direta ou indiretamente, “está conectado a tudo”, através de um grande sistema, semelhante a uma teia de aranha. Ao romper umas destas conexões ou se um dos elementos desaparece, todas as demais partes da teia sofrerão os efeitos, já que os ecossistemas se mantém estáveis através da interação. A segunda lei diz que “tudo vai para algum lugar”. A estabilidade dos ecossistemas é possível, uma vez que os resíduos gerados por uma parte do ciclo são utilizados por outra parte. Só haverá desestabilidade se houver interferência no ciclo natural das coisas. Já na terceira lei, a Natureza utiliza com maior eficiência seu departamento de pesquisa. A quarta lei reporta que “nada é de graça”. Tudo tem seu preço. Não é possível extrair combustível fóssil para queimar, liberando dióxido de carbono (CO2) e material particulado, sem que um preço esteja sendo pago, em algum lugar. E quando se coloca em perigo alguma forma de vida, todo o sistema corre risco (primeira lei). Ao se abater impiedosamente uma onça, estará se impedindo que essa prede os veados de certa região o que irá, certamente, causar uma superpopulação dos cervídeos, e, ao diminuir a oferta de seus alimentos naturais, passarão a perturbar a pecuária, ou serão dizimados pela fome. Quando alguém mata aranhas e escorpiões, a tendência é aumentar as populações de insetos. O extermínio de vespas causa aumento nas populações de aranhas ou de gaviões o de cobras venenosas. Menos cobras, mais ratos. A Natureza é um conjunto harmônico, onde os seres são interdependentes e com isso, as superpopulações das espécies são naturalmente controladas.
Um fato curioso é que sempre que se juntam gatos em áreas verdes, o que se pensa em primeiro lugar, é que estes promoverão uma chacina indiscriminada da fauna local. O que foi observado, porém, é que eles convivem pacificamente com outros animais, como patos, marrecos e cutias. Por mais que sejam considerados eficientes predadores, não merecem a fama de destruidores do meio ambiente. Uma atitude isolada não deve qualificar um gato ou um cão como um exterminador de pássaros nativos e animais silvestres. Aliás, os "defensores" e "admiradores" dos pobres pássaros, que os compram no estado silvestre, estão incentivando o mercado vergonhoso do tráfico de animais da fauna nativa. O abandono significa maus-tratos pela atitude insensata do bicho-homem e a prática cruel e sádica de envenenamento é um indicador social de ruindade humana.
Será que as chamadas pragas urbanas invadem nossas casas ou somos nós que invadimos as deles? À custa da grande especulação imobiliária, se destrói extensas áreas.
O aumento populacional de qualquer espécie na natureza indica oferta de comida e ausência de predadores. O maior predador do homem é o próprio homem, com sua violência, guerras étnicas, civis, disputa pelo poder, drogas, desrespeito à natureza, e daí por diante. Enfim, é o seu controle biológico.

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