São Paulo, 26/07/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Bois e outros bichos
Ivana Maria França de Negri

Nos bancos escolares, pelo menos na minha época, aprendíamos que o boi era um animal útil. Isso porque nos dava sua carne, seu leite, couro, chifres, ossos, tudo nele era aproveitado. E nos ensinavam que os animais se dividiam em duas categorias: a dos animais úteis e a dos nocivos.
Geralmente os que se enquadravam na categoria dos nocivos eram as formigas, pulgas, carrapatos, baratas, as cobras peçonhentas e os que transmitiam doenças aos humanos ou eram considerados pragas.
Alguns animais eram denominados de simpáticos, como os cães, gatos e pássaros, mas outros eram considerados asquerosos, como os morcegos e os ratos.
Adulta, comecei a questionar esses conceitos. A vaca não doa sua carne, seu couro, seu chifre por livre e espontânea vontade, tudo dela é arrancado. Ela gostaria de viver em paz. Roubam-lhe a vida para usufruir de suas entranhas, até seu bebê é arrebatado de sua companhia para virar vitela, uma carne mais macia que os humanos adoram, mas causa muito sofrimento ao bezerrinho.
Também nunca compreendi porque alguns animais eram desprezados e considerados nocivos. Por que Deus criaria animais imprestáveis para infernizar a vida do homem? O Criador certamente tem um objetivo para cada ser vivo. Todos têm sua importância na cadeia da vida. Nenhum pode ser considerado inútil, apenas na visão torpe, ignorante e egoísta dos humanos.
Cada ser vivo, mesmo o mais ínfimo dos insetos, tem seu lugar e sua serventia na natureza. Nunca entendi essa supervalorização de algumas espécies em detrimento de outras. Isso se chama especismo.
Por conta disso, o homem delegou a algumas espécies o destino de serem usados para diversão, (rodeios, circos, touradas, farra-do-boi, rinhas), outras, são para aprisionar (em jaulas, zoológicos, circos e em gaiolas) e o pior, alguns são presos para serem usados em seguidos experimentos científicos, uma das mais cruéis destinações a que são submetidos os animais. E há também o absurdo de serem utilizados em rituais, degolados e sangrados sem piedade para suposto benefício de quem os executa.
E de acordo com essas divisões, que ele mesmo criou, o homem sente-se no direito de usar, abusar, matar, caçar, espalhar pesticidas e venenos. Como em cada país mudam os costumes, alguns consomem carne de cachorro, de gato e macaco e os ocidentais ficam chocados. Na índia a vaca é sagrada e eles se horrorizam com os ocidentais que as matam, quando na verdade, todas as formas de matança e sofrimento são deploráveis, em qualquer escala.
O ser humano é o único ser que assassina os de sua espécie e de outras, sem propósito algum como nas caçadas por esporte.
Bois, cavalos, cães, gatos e outros bichos são usados para virar comida, diversão, maltratados na vivissecção ou no trabalho forçado.
E o homem cria mil designações: animais domésticos, domesticados, selvagens, silvestres, quando na verdade, são espécies de vida diferentes, que sentem dor, fome, sede, são carentes de carinho como o próprio ser humano.
Ainda bem que existe a escalada da evolução. Entre erros e acertos, entre dores e alegrias, o homem vai aprendendo com as lições que a vida dá. E aprende mais pela dor do que pela felicidade. Um dia a utopia de um mundo de paz e harmonia vai se tornar real. E a humanidade será formada por uma legião de anjos. Isso seria o paraíso! Por ora, vamos nos arrastando, levando as reguadas da professora Vida.

Ivana Maria França de Negri é escritora

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