São Paulo, 25/06/2017        
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Pânico – um mistério da mente
João Salvador

Embora sejam prodigiosas as trilhões de sinapses que ocorrem na esfera cerebral, para a medicina é, ainda, muito mais fácil explicar e desvendar o funcionamento do fígado, do rim, do coração, enfim, de qualquer outro órgão, do que o funcionamento do cérebro, dos mistérios da máquina craniana, do encéfalo.
Num raciocínio frio, puro, lógico, cognitivo, a malha neuronal faz conexões como um computador e o raciocínio emocional faz parte dos mecanismos de decisões, com os quais se pode chegar a um bom raciocínio também lógico.
Certas substâncias existentes no cérebro, os neurotransmissores, dentre eles a serotonina e a noradrenalina, que regulam o campo das emoções, geram sentimentos de alegria e, principalmente, de medo, como reação natural, sob ameaça. Quando nos sentimos ameaçados, nosso organismo, imediatamente, prepara sua defesa ou ataque, através das manifestações físicas, que mudam a expressão do rosto, a cor da pele, ocasionando sintomas cardíacos ou intestinais.
Uma disfunção desses neurotransmissores pode causar uma reação de grande medo, de forma inesperada, mesmo sem qualquer motivo concreto. Em geral, as sensações são de desespero, de terror, um grande pavor, irracional, infundada. É a denominada “Síndrome do Pânico”, que atinge 2% da população, com grande tendência a crescer com o estresse imposto pelo mundo moderno, atribulado e competitivo.
O pânico recai sobre as pessoas de grandes riquezas emocionais, geralmente perfeccionistas. Essas sensações deveras fortes de medo, em geral, podem ser acompanhadas pelos sintomas físicos de falta de ar, palpitações, desconforto no peito, sensação de falta de realidade, com ondas de calor ou de frio, sudorese, inquietação, irritabilidade e outros. Esse quadro de ansiedade intensa e de curta duração é diferente das chamadas fobias que são medo de animais, insetos, elevadores, locais abertos, fechados, de altura, mas são responsáveis por 75% das pessoas que sofrem de pânico. Isso pode causar uma ação antecipatória e desencadear a crise.
O pior de tudo é sentir-se refém da recorrência, chamada de “medo do medo”, que geralmente é duradoura. Quando o indivíduo sente pequenos sintomas que lembram a crise, entra de imediato em situação desesperadora.
Existe uma grande relação entre o pânico e a depressão: ambos estão no campo da afetividade e, às vezes, se cruzam, de modo que se não resolver o problema do pânico, pode ocorrer uma depressão profunda e a pessoa afasta-se do mundo exterior, isolando-se.
Esses distúrbios químicos cerebrais, que podem trazer como consequência problemas psicológicos e emocionais, provocam alterações comprometedoras às funções orgânicas e comportamentais, que devem ser tratadas, porque o cérebro aprende a produzir esses efeitos com mais facilidade.
Atualmente, existem medicamentos eficazes que agem no cérebro, regularizando as áreas cerebrais e a experiência do médico é que vai dizer por quais optar. Todavia, por preconceito, há ainda relutância em aceitar uma doença de origem psiquiátrica por vergonha de levar o carimbo de maluco, de coisas fantasiosas. Quanto mais crônico ou demora no tratamento, mais difícil é a cura. Devemos sempre encontrar um bom confidente, uma família compreensiva e um médico que permita um relacionamento médico-paciente de confiança. Isso é importante, já que a confiança no médico ajuda muito, pois o ser humano é um todo: uma parte física, uma psíquica e outra social, que devem-se locupletar.
Nestas situações em que o sistema límbico encontra-se desajustado, também necessitamos de ajuda psicológica. A psicoterapia nos ajuda a sair deste estado de paralisia, a restaurar nossa capacidade de prosseguir construindo nossa vida e respondendo de modo criativo aos desafios do cotidiano.
Obs. Sou panicoso também e não estou sozinho.

João Salvador é biólogo
Email:josalv@uol.com.br

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