São Paulo, 16/10/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Segura Peão!
Ivana Maria França de Negri

É muito saudável sentir alegria, estar entre amigos, divertir-se, paquerar, ouvir músicas e assistir shows.
Isso é o que faz a juventude frequentar as Festas de Peão. Numa enquete realizada nas últimas semanas, foi perguntado às pessoas se elas iam a esse tipo de festa por causa dos shows ou para assistir às provas de montaria. Quase a totalidade disse que ia pelos shows e por causa da alegria da festa. Muitos confessaram que ficam com dó dos animais e que não faria falta alguma a extinção das montarias.
Os organizadores afirmam que os animais são bem tratados. É claro que são! Como um boi mal alimentado e fraco pularia com tanta energia? Alimentar bem um animal não quer dizer que ele não está sendo judiado. Por que um boi, normalmente manso e pacífico, fica enlouquecido numa arena?
Imagine-se no lugar dele. Você, um animal preso num lugar minúsculo, sem poder se mexer. Uma turba gritando ensandecida, fogos espocando, rojões, luzes, sinos, e você sem poder fugir e alguém cutucando-o com uma vara com prego na ponta, outro puxando seu rabo com muita força, outros apertando a peiteira em seus pulmões até deixá-lo sem poder respirar além de esporas fincando seu ventre, cortand, ferindo. E sinta também a tortura de uma tira de couro – sedém - fortemente amarrada em sua virilha comprimindo os órgãos genitais. É claro que você iria saltar doidamente para se ver livre do martírio! Mas os peões ironizam: são só 8 segundos!
Só que a realidade é bem outra. Os treinos são diários, ininterruptos, longe dos holofotes e de qualquer inspeção. Os muito feridos são descartados e substituídos.
A cidade de Ribeirão Preto decidiu suspender as provas após liminar da Justiça que proibiu o uso de instrumentos que caracterizariam maus tratos nas montarias. Não podendo usar nenhum instrumento de suplício, não tiveram como realizar provas de rodeio. E acabou acontecendo o Ribeirão Rodeo Music, festa que reuniu o mesmo público, mas sem montaria de animais. A polícia esteve o tempo todo na festa para cumprir a decisão. Caso resolvessem colocar algum animal na arena, não poderiam usar em hipótese alguma os apetrechos, nem o sedém.
Esse tipo de evento tornou-se uma indústria. Os apelos comerciais são intensos e quem não preza a ética, patrocina. Criaram um falso glamour, e, mais uma vez, o povo vai na onda e paga pra ver. E tome cerveja, esporas, laços, foguetório e baderna. Essas festas, regadas a bebidas, quase sempre terminam em brigas e algumas, até em morte.
Assim como os circos sem animais sobrevivem, esse costume bárbaro um dia também será abolido. E pela evolução natural dos humanos, essa mentalidade selvagem tende a se modificar.
Até Nossa Senhora Aparecida inseriram na festa como padroeira dos peões. Mas duvido que ela, símbolo da maternidade, do carinho e mansidão, aprove.
A finalidade da luta desigual é provar que o peão é “macho”, corajoso. Não importa se órgãos de animais sejam rompidos, se esporas os ceguem, se ossos sejam quebrados. São apenas animais, dirão alguns. Como se animais não sofressem, não sentissem dor, angústia, medo e desespero. Maus tratos são encobertos, veterinários se vendem para dar falsos laudos e afirmar que não há maus tratos.
Segura peão, e vê se cria outro tipo de diversão, um touro mecânico ou rodeio virtual. Segura peão e deixa em paz o animal que é manso, pacífico e tem bom coração.

Ivana Maria França de Negri é escritora e defensora dos animais

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