São Paulo, 18/12/2017        
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Poluição química em residências
JOÃO SALVADOR

A pior poluição não está nas ruas, nem na água, tampouco gerada pelas fábricas. Está onde normalmente as pessoas se refugiam das agressões do mundo externo, dentro de suas próprias casas ou nos locais de trabalho.
O engenheiro ambiental Bill Wolverton, ex-pesquisador da Nasa explica que durante as missões da base espacial Skylab, mais de 100 tipos de substâncias poluidoras foram encontradas dentro das naves espaciais, não somente transportados pelo ar, mas fabricados nesses ambientes.
Gastamos boa parte de nosso tempo dentro do ambiente de trabalho e de nossas casas, de maneira que substâncias tóxicas contidas no ar interno podem causar alergias, asma, bronquite entre outras patologias mais graves.
O banho de chuveiro, quando alongado é prejudicial, porque o cloro existente na água tratada reage com as partículas orgânicas nela existentes e se transforma em clorofórmio pelo aquecimento. Pela sua alta volatilidade, quando aspirado mesmo em pequenas concentrações diariamente, pode causar problemas em pessoas sensíveis.
Outras fontes importantes de poluição invisível e inodora no ambiente doméstico são os agentes de lavagem a seco (tricloroetileno). Os removedores químicos modernos, ácaros, fungos, poeira nos estofados, tapetes, cortinas e camas contribuem bastante para um índice de partículas em suspensão em nível muito elevado, cerca de 5 a 10 vezes maior do que o de do ambiente externo. Uma criança que fica muito próxima do solo, chega a aspirar cerca de 100 mg de poeira por dia, o que significa inalar uma quantidade razoável de benzopireno.
Os agentes de limpeza, usados e armazenados por muito tempo para o uso na desinfestação e conservação de carpetes, cortinas, tapetes e outros tecidos absorventes e dos solventes usados nas ceras de assoalho, são extremamente voláteis e cancerígenos.
O formaldeído, gás altamente tóxico e cancerígeno é utilizado em vários materiais de construção e também em móveis, espelhos, roupas e até no papel higiênico. Outras fontes: combustão incompleta, como a fumaça na cozinha, lareira, fornos, fogões com queimadores defeituosos, fumaça do cigarro e vapores de pesticidas, deixam a atmosfera do ambiente mais carregada de amoníaco, clorofórmio, álcool, benzeno, xileno, tricloroetano e demais substâncias nocivas.
Se em ambientes fechados os poluentes se dispersam em um volume de ar muito pequeno, principalmente quando não há ventilação ou circulação adequada de ar, uma grande concentração de gases e vapores penetra facilmente em nossos pulmões.
Algumas medidas amenizam ao manter o ambiente interior bem ventilado, ensolarado e quando se limpa tapetes, cortinas e estofados sempre no quintal ou área de serviço. Um simples capacho para limpar os pés reduz em até 100 vezes o nível de poluentes carregados da rua, como o chumbo e o cádmio. As tintas de paredes devem ser livres de pigmentos de chumbo. As roupas lavadas a seco devem ser estendidas no varal e os colchões de vez em quando deixá-los em contato com o sol.
Algumas plantas produzem pólen e a suas folhas mortas e o material orgânico do substrato liberam gases e compostos orgânicos voláteis, pelo processo de decomposição, porém há tipos que servem como filtros pelas suas folhas, de acordos com estudos. Quando transpiram, usam em seu metabolismo o ar para suas raízes que nutre os micróbios com oxigênio e transformando as substâncias tóxicas em açúcares e ácidos de amido, como fontes de alimentos. O próprio Wolverton indica o lírio da paz, espada de são Jorge, babosa, hera, filodendro, samambaias, dracena, porém as mais eficientes são as palmeiras areca e a ráfis, de baixo custo e muito conhecidas por suas qualidades ornamentais.
Controlar melhor o ambiente onde se passa a maior parte do tempo é a saída, uma vez que cada organismo é biologicamente diferente e não existe uma maneira eficiente de avaliar os danos à saúde decorrentes da poluição doméstica ou no ambiente trabalho. O melhor é se prevenir.

JOÃO SALVADOR é biólogo
E-mail:salvador@cena.usp.br

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