São Paulo, 25/06/2017        
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ARTIGOS     
 
JOÃO SALVADOR
Dê tempo ao tempo


O tempo não para, não espera, não zera, o universo não é estático. O tempo cronológico, porém, também chamado de tempo objetivo, criado com base nos movimentos da natureza e dividido em horas, dia, mês e ano, ajuda o homem a planejar, organizar, mensurar, avaliar o presente, com o alicerce do passado, para projetar o futuro.
Com isso, temos o tempo certo de plantar, de colher, baseando-se no clima, nas estações distintas do ano; tempo definido para marcar um evento, agendar um encontro, de tirar férias para se dedicar mais tempo à família.
O tempo também pode ser subjetivo, estimativo, de amadurecimento, de assimilação, aprendizagem e qualificação. Tempo de relativizar, de perceber que ele pode ser reduzido ou acrescido, psicologicamente. Nem mesmo quem dá tempo ao tempo para viver intensamente, pode dizer que foi compensador. Tempo é dinheiro, mas também é vendaval. Ele pode transformar os chamados cultos em hipócritas. A propósito, alguém se arrisca em dizer que, apesar da onipotência divina, o universo foi formado num período de tempo de seis dias? Os neurônios não absorvem as idéias por osmose, ainda bem.
A ciência continua em marcha pelos tempos subjetivos. Ela não guarda sábados, domingos e feriados, nem tampouco obedece aos finais de períodos. Mas necessita do tempo cronológico por questão de projetos de orçamento, de verbas, para que o homem busque, incessantemente, por inovações, na tentativa de alcançar a excelência. A vida é um incessante continuar, a cooperação ajuda muito, mas somente a honestidade, a responsabilidade norteia, até mesmo sem o dito dinheiro.
A sensação de que os dias de hoje são de poucas horas, cada vez mais curtos, está associada ao acúmulo de compromissos, que preenche os horários livres, adia o lazer, a vida social, dando a impressão de que ele passa cada vez mais rápido, voa. É uma percepção sensorial atrelado ao novo estilo de vida, que dificulta a conciliação dos compromissos profissionais com as relações sociais. Não sobra tempo para um bom convívio familiar, tampouco para uma interação social. A vida se reveste de compromisso somente com o trabalho pela própria circunstância da competitividade dos tempos modernos. Muitos são resistentes a esses atropelos, outros, porém, não aguentam e sucumbem pelo estresse, fadiga ou estafa.
A aceleração do tempo baseia-se no ritmo de uma sociedade mais intensa, mais qualificada, de habilidades e, daí sim, a impressão de que o planejado não cabe no tempo disponível. Quando se assume mais tarefas, a sobrecarga é maior, o que gera estresse, angústia e ansiedade. Neste caso, a memória, diante de diferentes funções do organismo, não funciona corretamente, que facilita o esquecimento. Essas disfunções advindas do peso funcional provocam insônia, distúrbios gástricos e alterações cardiovasculares, o que compromete a qualidade de vida. É por conta do acúmulo de serviço que vivemos a era da depressão, da tensão, dos conflitos externos e internos.
Há que se adaptar aos novos tempos, buscar alternativas de trabalho ou estudo em horários mais compatíveis com uma vida saudável. A qualidade de vida se faz com exercícios físicos, relaxamento e alimentação condizente, adequada. Curta sua família, faça uma viagem, não leve, jamais, o notebook em seus passeios, desligue o celular. Mantenha, acima de tudo, seus valores, atitudes e tradições, porque o futuro é o intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido.


JOÃO SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura) -
USP (Universidade de S. Paulo)

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