São Paulo, 18/12/2017        
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Massacre de Gatos em Rituais Cristãos
por Giordano Cimadon

Gatos e seres humanos vêm cultivando um relacionamento afetuoso e produtivo há cerca de 10 mil anos. Estes animais dóceis e independentes já desempenharam funções de grande importância para a civilização humana, auxiliando no controle de pragas e doenças, ocupando o status de membros de família ou sendo cultuados como autênticas divindades.
Contudo, já houve um período na história desta relação em que a ignorância e a barbárie do ser humano protagonizaram um dos espetáculos mais horrorosos e sádicos de todos os tempos. Um número incontável de inocentes criaturas foi vitimada em rituais supersticiosos, motivados pelo fanatismo da mentalidade católica medieval e alimentados pela astúcia dos monarcas.

Muito antes deste lamentável capítulo de sua história, os gatos desempenharam um papel muito importante para que o ser humano pudesse estabelecer sua sociedade agrícola, o que ocorreu há cerca de 9.500 anos, nas primeiras vilas agriculturais do chamado Crescente Fértil.
Como a produção e o armazenamento de alimentos atraía um número impressionante de roedores, os gatos, exímios caçadores, eliminavam os invasores dos silos. E foi assim que passavam a conviver com os seres humanos.
No Egito, há pelo menos 5.000 anos, os gatos eram venerados e tratados como divindades. A mais famosa delas era chamada Bastet, a deusa da fertilidade e da felicidade, considerada benfeitora e protetora do homem.
Os gatos eram tão queridos pelos egípcios que eram tratados como membros da família, inclusive após sua morte, quando eram embalsamados à maneira dos seres humanos. Além disso, quem matasse um gato era punido com a pena capital.
Os antigos persas jamais maltratavam os gatos. Para eles, os gatos eram verdadeiros amigos, destinados a servir como companheiros de jornada durante toda a vida. Assim, maltratar um gato correspondia a fazer mal a si próprio, a um espírito de natureza divina, responsável pelo atenuar o impacto de muitos sofrimentos da existência.
Por algum tempo foram respeitados na Europa. No entanto, com a chegada da Idade Média, os gatos passaram a ser vistos como espíritos malignos, associados às bruxas e à Satanás. Quando uma pessoa acusada de bruxaria era queimada, vários gatos a acompanhavam neste suplício ignorante e de natureza demoníaca.
Até os dias atuais o gato sofre com o preconceito que teve início durante este período. Houve até mesmo um papa, chamado Inocêncio VIII, que cometeu o absurdo de incluir os gatos pretos na lista de seres hereges que deveriam ser perseguidos pela Inquisição, um ato que só faz aumentar o apreço e a identificação dos gnósticos com este animal.
Sabe-se que ainda hoje os gatos pretos são estigmatizados e até perseguidos e vitimados, justamente pelo fato de estarem associados às bruxas e à magia negra. Este preconceito teve início na Idade Média, graças à visão estreita dos fanáticos religiosos, mas também aos extraordinários poderes que possui o elemental deste animal.
Mas certamente esta crueldade atingiu seu ápice quando foi incorporada por certas cerimônias cristãs populares. Um exemplo é a Festa de São João (Fête de la Saint-Jean), uma festa católica francesa que acontece no dia 24 de junho e celebra o nascimento de São João Batista. Ela é tradicionalmente celebrada com fogueiras inspiradas nos rituais pagãos do Solstício de Verão e, no período medieval, gatos eram lançados à fogueira como parte da festividade.
Não tardou para que este tipo de sadismo acabasse adquirindo, na França, o status de entretenimento popular. Durante o século XVII, o povo se divertia prendendo vários felinos em uma espécie de rede, fazendo com que fossem içados ao alto e lançados em uma fogueira. Descrições deste período narram pessoas em grande alvoroço, rindo e gritando exaltadas ao assistirem a este espetáculo macabro, enquanto os animais, grunhindo de dor, eram chamuscados, tostados e finalmente carbonizados.
Segundo relato do antropólogo James Frazer, constatamos que a mentalidade cristã supersticiosa da época atingia níveis espantosos. Mesmo quando não havia uma “festa” que “motivasse” a brutalidade, era costume atirar um barril cheio de gatos em uma fogueira. O objetivo era recolher as cinzas e levá-las para casa, pois isso traria boa sorte.
Os monarcas franceses assistiam a esses espetáculos, e chegavam até mesmo a iniciar o incêndio da fogueira, desempenhando um papel de destaque no evento. O último a desempenhar esta função foi Luís XIV, que após cumprir com a horrível formalidade, ofereceu um suntuoso banquete em seu palácio. Assim, mantinha a população distraída em benefício de seus próprios interesses, hábito comum entre governantes de todas as épocas, desde imperadores até presidentes.
Em maior ou menor grau, o fanatismo de qualquer espécie leva o ser humano a se comportar de maneiras absurdas. Nestes tempos em que o direito dos animais vem se tornando um movimento cada vez mais importante em nossa sociedade, este olhar para trás realça a dívida que o ser humano contraiu com seus mais antigos companheiros.
fonte: http://filhosdehiran.blogspot.com/2011/10/massacre-de-gatos-em-rituais-cristaos.html

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