São Paulo, 18/10/2017        
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Grandes saudades!

Eloah Margoni

Dentre tantas saudades que se pode ter e que, efetivamente se tem, quero falar de minha nostalgia do clima de antes. Bem mais inteligível e razoável era este. Saudades do tempo que fazia no passado, o qual, todos sabemos, era diferente, pero mucho, mucho mismo!
Começa comigo criança, em Piracicaba, encolhida no chão, numa nesga de sol da manhã, enquanto minha mãe varria a frente da casa e o jardim. Era inverno... mas creio que nem comece assim. É que também chovia manso durante dias seguidos no verão, por essas bandas. A chuva fazia um barulho familiar batendo na calha do telhado, caindo persistentemente; também cantava na parreira de uva. Eventualmente uma tempestade de verão, mas nada parecido com o que hoje se vê, chuvas cheias de fúria. E havia a tal parreira já mencionada, onde vivia eu. Tinha répteis, rãs pequenas e um número expressivo de lagartixas rodeando as luzes das varandas das casas de quase toda a gente.
A temperatura mudava devagar. Estações se sucediam, lógicas, confiáveis, não variando demais no geral. Grandes dias de calor no verão, mas a camada de ozônio ainda existia entre o céu e a Terra. Isso faz diferença! Ela nos trazia proteção e conforto. A memória de minha pele, de meus ossos o atestam. Tais memórias gritam até, meio rebeladas, inutilmente revoltosas.
Nunca se ouvia falar de variações absurdas de temperatura, como agora virou rotina. Em dois dias, em qualquer “estação”, de vinte e cinco, vinte e seis graus. É quase outubro e as noites são meio geladas.
Em Campos dos Goytacazes então, onde morei por mais de dez anos, não fazia frio. No inverno, ao entardecer, um ventinho mais fresco nos avisava da época do ano. Mas agora lá faz frio. O resto já o sabem. Secas, frio demasiado, chuvas de levar tudo, calores terríveis. As gerações mais novas nunca entenderão que antes não era assim. Mas alguns de nós o sabemos. Dá-nos imensas saudades desta “docilidade” climática (por assim dizer), que saboreamos um dia e que se foi para sempre, ou pelo menos, por um muitíssimo longo período de tempo. Tão cedo, não a teremos mais.

Eloah Margoni é médica e ambientalista
eloahm@terra.com.br

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