São Paulo, 18/10/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
João Salvador
Lá vem o Sol

No ápice do Verão, o Sol fica mais exposto sobre nossas cabeças e chega a ficar a pino no dia de solstício, quando a sombra de um poste se mantém perpendicular à terra. Depois se afasta aos poucos, inclina-se em forma de um arco para o Norte e sua luz deixa um tom amarelinho, pálido, cavernoso, de maneira gradativa, no hemisfério Sul, que chega a interferir no ciclo biológico de todos os seres vivos. As plantas caducifólias derrubam suas folhas no Outono para economizar energia durante o Inverno, época da diminuição de luz, de temperatura, e períodos de estiagem, fatores que lhes obrigam a reduzir o metabolismo, a entrar em repouso fisiológico.
É um semestre que para muitos, principalmente para os portadores de depressão, ansiedade e da síndrome do pânico, um período sombrio, cinzento, esquisito, triste, mas justificável, porque a luz interfere na secreção de hormônios, na produção dos neurotransmissores do bem-estar.
Mas lá vem o Sol, a reluzir, a reduzir o seu arco, a sua palidez, a trazer os encantos de uma das mais belas das estações do ano, da tão esperada Primavera, com seus dias alegres, mais longos, mais brilhantes, da abertura das piscinas, do uso de menos roupa,
As árvores preenchem-se de folhas, o ar é mais límpido e aquecido, com maior probabilidade de chuva, de molhar bem a terra, para que sertanejo a prepare para uma boa produção, cujo excedente abastecerá os varejões e os supermercados, já que os grandes produtores o fazem mais para exportação.
Os parques e jardins são mais coloridos, perfumados pelas flores. Voltam borboletas, os insetos alados que fascinam pela beleza de suas formas e cores, encontradas em centenas de espécies diferentes, em locais que lhes dão condições de sobrevivência, como bosques, canteiros, gramados e terrenos baldios, em razão da maior oferta de alimentos, como néctar, pólen, resina de troncos ou líquidos provenientes de frutos caídos. Para os que desejam recepcioná-las em seu jardim, deve prestar alguns cuidados, um deles é o de apagar o preconceito de que são insetos ávidos devoradores de flores e folhagens no estágio larval, quando, na verdade, existem plantas selecionadas para a postura dos ovos, chamadas de hospedeiras, fontes de alimento e abrigo para as formas jovens (lagartas), enquanto outras plantas as atraem para a sucção do néctar. Enfim, vê-se que é possível criar um jardim para as borboletas onde as lagartas não entram. Outro fator importante, é não generalizar, culpá-las pela infestação de lagartas urticantes, as que em contato com a pele, provocam queimaduras e alergias. Essas lagartas são originadas de mariposas, quase que exclusivamente de hábitos noturnos, enquanto as borboletas, de uma maneira geral, ostentam cores vistosas e possuem hábitos diurnos. Nenhuma larva de borboletas é portadora de cerdas urticantes, uma dica importante para tranquilizar, ainda mais, os verdadeiros amantes destes lepidópteros.
Temos uma fauna melífera - as abelhas -, também rica e diversa, de variadas formas e cores, que se alimenta do néctar e transporta o pólen, no belo papel ecológico e fundamental para a fecundação das flores e manutenção da diversidade de espécies.
O mosaico de paisagens, constituído nas cidades, favorece a formação de ilhas da biodiversidade, por conta do refúgio de aves, insetos e animais, vítimas da devastação, das queimadas criminosas ou consentidas. Adaptados, inteirados com o homem, livres de predadores, sem competidores e com fartura de alimentos, suas populações crescem exageradamente, pelos seus curtos ciclos reprodutivos.
Existe uma praga urbana que incomoda em todas as estações, por ser o vetor do vírus da dengue, o pernilongo. Mas, como sem larva não há mosquito e sem mosquito não há dengue, a solução é a prevenção e controle, que se faz com um manejo integrado, ou seja, educação e conscientização, juntamente com a ação efetiva dos órgãos públicos. De resto, que venha o Sol, que meus leitores e simpatizantes tenham uma excelente Primavera.

João Salvador é biólogo da USP.
salvador@cena.usp.br

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