São Paulo, 25/06/2019        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Bulldog
Ivana Maria França de Negri

Não é sobre a raça dos simpáticos cães buldogues que vou escrever, e sim sobre uma prova realizada em festas de peão nos rodeios Brasil afora nesta época do ano.
A prova consiste em soltar um bezerro apavorado na arena. Instigado ainda no brete, submetido à tortura prévia, tendo sua cauda torcida ao máximo, sai em desabalada corrida. Dois peões montados em cavalos emparelhados perseguem o garrote. Um peão cai sobre o ele e deve derrubá-lo “à unha”, isto é, sem equipamentos, somente com as mãos. É a prova de “coragem e bravura”.
Mas será que torcer o pescoço de um bebezinho de cerca de 4 meses até deitá-lo no chão prova alguma valentia?
No último sábado, na cidade de Barretos, reduto da festa de peão há mais de 50 anos, frente a milhares de pessoas que lotaram o grande circo armado, um vitelo, vítima dessa prova cruel, cai inerte e permanece no chão. Olhos fixos no nada, o bezerro, visivelmente com dor, não se move, sob os aplausos da multidão ensandecida. A galera vibra com a suposta coragem do peão. O filhote não reage ao pontapé em sua cabeça. Outros peões, rapidamente tratam de retirar o animal agonizante da arena. Tetraplégico, com a coluna cervical irreversivelmente rompida, é carregado direto para o abate, violando descaradamente a legislação vigente da Constituição Federal, a lei 9605/98, que pune quem submete animais à crueldade.
Segura peão!!! O show continua, patrocinado por marcas de cervejas famosas e até pela Unimed de Barretos, empresa que deveria investir na saúde da população e não em eventos dessa natureza.
Como rola muito dinheiro, a mídia escrita e falada desviou o foco, pouco divulgaram nos telejornais, mas o fato foi amplamente mostrado nas redes sociais.
Não dependemos mais da ditadura e parcialidade da mídia comprada, existe a força dos internautas que faz, acontece e dá as cartas.
Facebook, twitter, blogs, sites, emails, houve movimento intenso nas redes sociais em repúdio ao ato covarde. Gerou frutos, pois o deputado Ricardo Tripoli já apresentou na terça-feira um projeto de lei que dispõe sobre a proibição de perseguições seguidas de laçadas e derrubadas de animal em rodeios ou eventos similares, o que não deixa de ser uma vitória contra a crueldade.
Muitas das pessoas que compram ingressos, entram “na onda”. Vestem-se de cowboys e vão na festa para curtir os shows, o movimento, e paquerar. Para elas, nem faria muita diferença a retirada das provas de rodeio. Mas acabam patrocinando esse circo de horrores.
Por trás do espetáculo, existem meses e meses de treinos, onde animais sofrem crueldade de todo tipo longe dos holofotes. Assim como nas montarias, os laçadores treinam por várias horas. A revista “Rodeo Life”, de maio de 1997, publicou entrevista com um deles, e destaca o seguinte trecho: -“Treinava das cinco da tarde até às dez da noite, sem trégua, e não amarrava menos de cem bezerros”.
Não estamos mais na idade da pedra quando animais e humanos disputavam água e comida. Não estamos mais nos tempos do “pão e circo” onde imperadores levavam diversão ao povo com gladiadores duelando até a morte nas arenas e gente era jogada aos bandos de leões famintos.
Basta de truculência e violência travestidas de valentia. Matar um filhote indefeso, acuado e assustado, jamais será um ato de bravura que se deva aplaudir. Violência é violência, seja contra gente ou bicho.




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