São Paulo, 22/08/2017        
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ANIMAIS GLADIADORES

Foto - romana, mosaico, deoicting, tiger, gladiators, 2º, século

“Eu procuro familiaridade com a Natureza - conhecer seus estados de espírito e maneiras de ser. Eu faço imensos sacrifícios para conhecer todos os fenômenos da primavera, por exemplo, pensando que eu tenho aqui o poema inteiro, e então, para meu desapontamento, eu ouço que é apenas uma cópia imperfeita a que eu possuo e li, que meus ancestrais rasgaram muitas das primeiras folhas e passagens mais grandiosas, e mutilaram-na em muitos lugares. Eu não gostaria de pensar que algum semideus tivesse vindo antes de mim e escolhido para si algumas das melhores estrelas. Eu quero conhecer uma Terra inteira. Todas as grandes árvores e animais selvagens, peixes e aves se foram.” Henry Thoreau (1817 - 1862) ensaísta, poeta, naturalista e filósofo norte americano.

“Nossa geração herdou uma Natureza desfalcada: os animais mais belos, mais extraordinários, já se foram! Foram extintos pelos nossos ancestrais.”
É isso que Thoreau disse em 1854! Imaginem quantos bichos já varremos da face da Terra. E a nossa geração segue firme a tradição, não deixando de contribuir com sua cota de devastação, de aniquilação de espécies...
Germano Woehl Jr.
Instituto Rã-bugio p/Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, SC - www.ra-bugio.org.br


Ruínas do Coliseu


A palavra “gladiador”, vem do latim “gladius”, “espada” e designa um combatente armado que entretinha a plebe, em espetáculos públicos no Coliseu e em outros anfiteatros do Império Romano. Eram confrontos com outros gladiadores, animais selvagens, criminosos condenados, escravos (prisioneiros de guerra e os alugados por seus senhores) que, através de suas vitórias poderiam conquistar a liberdade representada por uma espada de madeira, a “rudis”, sendo a partir de então, chamados de “rudiarii”, e homens livres - o gladiador mais famoso foi um homem livre, Públio Ostório, que participou de cinquenta e um combates em Pompéia.
Os gladiadores se enfrentavam para divertir o público, e o combate só terminava quando um deles morria, ficava desarmado ou ferido sem poder lutar. Geralmente, era o imperador quem decidia se o derrotado morreria ou não, segundo o que queriam os espectadores – os romanos pediam com um gesto o perdão ou a morte do lutador ferido. Para os espetáculos eram reservados aproximadamente 182 dias ao ano.
A origem dos combates de gladiadores ainda é incerta. Há evidências de que já ocorriam em ritos funerários durante as Guerras Púnicas (três guerras entre Roma e Cartago) no século III a.C. O primeiro espetáculo conhecido, em 264 a.C., foi o funeral de Brutus, que reuniu três pares de lutadores.
Esses cruéis combates, foram a origem dos famigerados “circos” atuais, e perduraram por sete séculos. Os jogos atingiram o auge de popularidade entre o século I a.C. e o século II d.C., e persistiram durante as crises sociais e econômicas do estado romano em declínio. E mesmo depois de o cristianismo ter se tornado religião oficial no século IV, imperadores cristãos continuaram patrocinando tais grotescos espetáculos até , pelo menos, o século V d.C. quando se tem conhecimento da realização dos últimos combates.
Com suas vitórias, os gladiadores podiam obter grandes recompensas financeiras em algumas lutas, que um cidadão comum, com seu trabalho, não conseguiria amealhar durante toda sua vida. A fama e a admiração feminina eram outros componentes que atraíam combatentes.
Os gladiadores, aos três anos de idade, iam para os “Ludus”, escolas especializadas. Em Roma havia quatro delas, sendo a mais famosa a “Ludus Magnus”, ligada diretamente ao Coliseu por um túnel. Os treinamentos podiam durar até dezesseis horas diárias. No intervalo das lutas eles tinham um tratamento especial que envolvia cuidados médicos. Claudio Galeno (129 – 199 d.C.), médico grego, foi médico dos gladiadores, especialista em cirurgia e nutrição. Ao contrário do que muitos pensam, “os gladiadores romanos eram vegetarianos com sobrepeso e não homens repletos de músculos. Cientistas austríacos analisaram os esqueletos de dois tipos diferentes de gladiadores, os murmillos e os retiariae, achados no sítio antigo de Ephesus, perto de Selsuk, na Turquia. Os paleoantropólogos austríacos utilizaram um método conhecido como microanálise elemental que permite que cientistas determinem o que um ser humano comeu durante sua vida. A partir disto, eles puderam determinar o quanto de carne, peixe, grãos e frutas fazia parte da dieta das máquinas de luta romana”. Os pesquisadores encontraram altos níveis do elemento estrôncio, associado a dietas baseadas em plantas, nos ossos dos atletas.” http://www.abc.net.au/science/articles/2004/04/05/1081439.htm http://dsc.discovery.com/news/2007/06/26/gladiator_arc.html?category=animals&guid=20070626100030

Segundo a historiadora Barbara McManus, do College of New Rochelle, nos Estados Unidos, os gladiadores não lutavam mais do que três vezes ao ano e viajavam em grupos conhecidos como famílias quando iam lutar em outras cidades. Eram comuns, nas lutas, as participações de anões e mulheres gladiadoras, que lutavam com um seio à mostra, pois usavam as mesmas vestimentas dos gladiadores homens. O imperador Domiciano (51-96), que sucedeu a seu irmão Tito, gostava de ver lutas entre anões e mulheres.
Na realidade, as lutas de gladiadores, serviam para desviar a atenção da sociedade romana dos desmandos dos seus governantes – “panis et circencis” (pão e circo). Através do pão e circo, o Estado mantinha o povo afastado das questões sociais, manipulando-o. O “circo” eram os combates, e os césares distribuíam pães, mensalmente, no Pórtico de Minucius, o que assegurava o pão diário de cada indivíduo. Eram cento e cinquenta mil pessoas sem ocupação, vivendo às custas do Estado – viviam da “assistência pública”. Havia também outros motivos para a popularidade dos combates: o povo gostava de estar perto do imperador, e também para observar o castigo dos criminosos.

Este mosaico de Pompeia representa alguns dos espetáculos dos Jogos.
Os “jogos” começavam dias antes dos combates, quando eram afixados pela cidade, cartazes com todas as informações: nomes dos lutadores, horários, patrocinadores, etc. O dia dos “jogos”, começava pela manhã, e ia até o anoitecer. A primeira “atração” eram os animais “amestrados” com seus treinadores: elefantes, panteras, ursos, leões, etc. Após esse desfile havia as lutas entre animais, geralmente, de espécies diferentes: urso x leão, urso x cães selvagens, etc. E, para finalizar os espetáculos da manhã, havia os combates entre gladiadores, os “bestiarii” e animais. Vários animais eram soltos, e os “bestiarii”, sempre em maior número, promoviam uma verdadeira carnificina. Depois disso o espetáculo seguia, com criminosos sendo devorados por animais famintos, e finalmente, os combates entre gladiadores. Os gladiadores vitoriosos recebiam a palma como símbolo de suas vitórias, moedas, pratos de ouroe outros objetos de valor.
Os imperadores Claudius I (214? - 270), Comodus (161-192), Adriano (76 – 138), Nero (37-68), e Calígula(12 d.C.- 41) foram grandes entusiastas dos combates. Calígula e Comodus se consideravam gladiadores, porém, um dos “grandes feitos” de Comodus foi matar, de seu lugar na arquibancada, de uma só vez, cem inocentes avestruzes, com suas flechas.
Só chegaram até nossos dias os relatos de três autores. Os trabalhos de Suetônio e Dião Cássio se centram nos acontecimentos dos jogos inaugurais, enquanto que Marco Valério Marcial proporciona alguns fragmentos de informação sobre jogos ditos pontuais e o único registo pormenorizado de um combate de gladiadores na arena que chegou aos nossos dias: a luta entre Vero e Prisco. As “venationes” ou pelejas de animais foram parte central dos jogos e Dião Cássio diz que no decurso dos jogos inaugurais, que duraram cem dias “animais, tanto treinados como selvagens, pereceram até alcançar o número de nove mil; e as mulheres (de nenhuma proeminência, não obstante) tomaram parte nestas mortes”. Nove mil animais trucidados, em pouco mais de três meses!
Dião Cassio e Marcial fazem referência a alguns animais chacinados: grous americanos (restava uma população de duzentas e sessenta e seis aves em 2008), cães molossos, elefantes, leões, leopardos, tigres, lebres, porcos, touros, javalis, ursos, rinocerontes, búfalos, bisões, avestruzes, camelos, crocodilos, hipopótamos e girafas. E, o mais estarrecedor, é que várias espécies (!) de animais foram extintas, por causa desses insanos combates romanos:
Urso do Atlas – era nativo do norte da África, e habitava as Montanhas Atlas. Milhares desses animais foram caçados para lutarem entre si ou com gladiadores nas arenas;
Leão do Atlas – também habitava as Montanhas Atlas;
Leão do Cabo – das três subespécies que habitavam o território sul africano, este leão era o maior;

Um leão-do-cabo desenhado por Rembrandt

Tigre Persa – das subespécies de tigre era a mais ocidental, sendo muito utilizado nas arenas;
Cão Molosso Romano – a raça não foi extinta, mas foi largamente utilizada em Roma, pelos seus exércitos expansionistas, ao lado dos quais combatia, ou pelos patrícios (burgueses da época), na vigília de suas posses, como também, nas arenas, em embates contra outros animais, ou gladiadores e na morte de cristãos.

Todos esses animais foram martirizados, sendo obrigados a lutar, por aqueles que estavam buscando “diversão”. “Nos relatos de Marcial lê-se que alguns animais não “cooperavam”. Num caso menciona-se que alguns leões fizeram pouco caso da sua presa. Os rinocerontes também eram animais difíceis de manejar. Um rinoceronte começou desfilando na arena, mas enfureceu-se e atacou um touro para divertimento da multidão. Mais tarde, quando se supunha que iria lutar, o animal já tinha se acalmado. Deveria enfrentar homens armados com lanças e diversos outros animais, mas o rinoceronte teve que ser espicaçado por “temerosos treinadores” até que o animal se decidiu a contra atacar e enfrentar os lutadores”. - www.wapedia.mobi.pt.

Não há muita diferença entre os antigos romanos e nós, cidadãos do século XXI. Continuamos torturando animais: circos, rodeios, touradas, rinhas (de canários, de galos, de cães, de cavalos, de gafanhotos, etc.), vaquejadas, farras do boi, matadouros, corridas de cavalos, corridas de galgos, carroças puxadas por animais, zoológicos, vivissecção, um sem fim de atrocidades. Continuamos a infligir dor, sofrimento às outras espécies, só que, “civilizadamente” vestidos. Mas são a mesma selvageria, crueldade, frieza para ferir ou esmagar seres indefesos. Não existe pior predador que o ser humano, e nenhum dos grandes mamíferos e vasta parte dos menores, conseguirá sobreviver se os humanos continuarem a infestar o Planeta, agindo de forma inconsequente.
O “homo sapiens” surgiu, há aproximadamente cento e cinquenta mil anos atrás, provavelmente, na África. Desde então, vem evoluindo (?) e seu número de indivíduos aumentando, tendo dizimado todas as espécies que entraram em contato com ele. O homem dominou o Planeta, provocando a extinção de várias espécies animais: mamute, tigre dentes de sabre, mastodonte,tigre da Tasmânia, ursos, leões, etc. – e continua sua abjeta dominação. E, o mais grave, é que fingimos que entendemos o que é abate “humanitário”, tradições “culturais” para vários tipos de tortura animal, que rodeios não machucam os touros e cavalos. Será que nos acostumamos? Será que somos como os espectadores dos anfiteatros romanos, comodamente decidindo quem vai morrer ou viver?

Nota:
Os jogos inaugurais do Coliseu tiveram lugar em Roma no ano 80, sob o mandato do imperador romano Tito, para celebrar a finalização da construção do Anfiteatro Flávio (do latim: Amphitheatrum Flavium), mais tarde conhecido como Coliseu. Originalmente era denominado Anfiteatro Flavio (Amphitheatrum Flavium), em honra à Dinastía Flavia de imperadores que o construiu, e passou a ser chamado Colosseum por uma grande estátua localizada junto a ele, o Coloso de Nerón, não conservada atualmente. O imperador Vespasiano começou a construção do anfiteatro cerca do ano 70, e este foi completado por Tito pouco depois da morte de Vespasiano, no ano 79.

Pesquisa:
http://planetadobem.blogspot.com/2010/02/especies-animais-com-extincao-recente.html#ixzz18W3FND00;
http://dsc.discovery.com/news/2007/06/26/gladiator_arc.html?category=animals&guid=20070626100030;
http://www.abc.net.au/science/articles/2004/04/05/1081439.htm;
Fabiano Onça – texto “Gladiadores Romanos”;
Martha Follain – texto “5% Neandertal” – www.floraisecia.com.br ;
Animal Planet – Animais Gladiadores;
Filme “Gladiador”;
www.birdwatcher.com.br;
www.wapedia.mobi.pt;
www.sohistoria.com.br
http://www.pea.org.br/crueldade/rodeios/fotos.htm;
http://www.arcabrasil.org.br/animais/entretenimento/rodeio.htm;
http://www.rodeio.radiolivre.org/;


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