São Paulo, 23/09/2019        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Há os que acreditam que Deus colocou os animais para que dessem exemplos de vida ao homem. Por este prisma, o leão representa a força, a garra e a luta; as formigas e as abelhas demonstram a ordem, a organização, o trabalho social em equipe, respeitando a hierarquia; os pássaros como os medidores, os melhores indicadores da qualidade do meio ambiente, enquanto que, por trás de o cão domesticado, estão inseridas a lealdade, o companheirismo, a cumplicidade e o respeito à natureza.
Mas a parte ignorante ou perversa do homem acha por bem não compartilhar com esses ensinamentos e concentra sua atividade econômica no tráfico de animais. Constrói sua vida através de vidas inocentes. Essa atividade ilegal ocupa, em volume de recursos financeiros, a terceira colocação dentre os principais mercados ilegais, perdendo apenas para o das drogas e o de armas.
É difícil estancar este contrabando. Primeiro, o Brasil possui uma imensa fronteira, que dificulta uma fiscalização abrangente; segundo, não há vontade em definir uma política de gerenciamento, controle, proteção e preservação das espécies silvestres; terceiro, existe a astúcia dos traficantes em mascarar a natureza da carga, que visa, eficientemente, burlar os controles oficiais; e por último, nos principais locais de capturas, norte e nordeste, quase não há atividade econômica e o triste destino dos animais serve para aumentar a renda familiar, mesmo porque, crescidos na ignorância, na inocência, os indivíduos acham que os recursos disponíveis da natureza são infinitos, capazes de suportar qualquer grau de exploração.
O país já responde por 15% deste tráfico em todo o mundo. Cerca de 38 milhões de animais são retirados da nossa fauna, anualmente, e transportados por diferentes rotas de saída. Similar ao que ocorre com o tráfico de drogas, o transporte é feito por "mulas", pessoas contratadas para levar os bichinhos para fora do país, além da conivência existente, à custa de propinas ou favores. Aliás, suspeita-se que haja o estreitamento das conexões entre os dois tipos de tráficos. O mais chocante é que apenas 10% desses animais suportam as adversidades da forma infame como são transportados.
Os animais retirados para abastecer o tráfico têm diferentes finalidades. Alguns serão utilizados na área biomédica (macacos, cobras e sapos), e outros se destinam aos ávidos colecionadores particulares (peixes ornamentais, pássaros, besouros, borboletas e aranhas). Quanto mais raro e mais ameaçado é o animal, maior é o valor que ele atinge no mercado negro. A maior parte deles é endêmica (só existe no Brasil), e cerca de 208 espécies já estão ameaçadas de extinção. É uma perda inestimável para o patrimônio genético brasileiro. A jibóia é um dos animais mais traficados, só perdendo para a ariranha, que os traficantes as querem mortas, somente para vender a pele. Lamentável, triste, abominável.
No comércio interno, o destino de muitos acaba sendo as feiras do interior e das capitais nordestinas, próximas aos locais de captura, onde são abatidos, limpos e mantidos em caixas de isopor. Nessas feiras é fácil encontrar carne de animais silvestres, como jacaré, capivara e outros bichos, vendidos a qualquer hora do dia. Um tipo de tartaruga é um prato requintado dos paraenses. Eles tiram toda a carne e fazem a chamada casquinha, por ser um prato feito e servido no próprio casco ou carapaça do animal. Um "prato cheio" para os apreciadores de carnes exóticas.
Os fiscais encontram muitos animais com pernas quebradas, olhos furados, mutilados, e com doenças adquiridas pelos maus-tratos, das torturas do cativeiro.
Precisamos de resultados mais positivos na proteção e preservação da fauna, dos brasileirinhos torturados e banidos das nossas matas. Precisamos, de mais consciência, mais ação política, de mais agentes fiscalizadores, de maior repressão e, até mesmo, da cooperação internacional, principalmente. Parece que as nossas autoridades estão acordando.

salvador@cena.usp.br

Publicação autorizada, desde que os CRÉDITOS SEJAM CONSERVADOS E
FONTE CITADA: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br

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