São Paulo, 08/09/2010        
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A crueldade dos “três tambores” do rodeio

Uma prova de rodeio que ainda é muito pouco comentada – na verdade é apenas citada brevemente como definição, mesmo nos melhores sites antirrodeio do Brasil – é a tal dos “três tambores”. Reservada predominantemente a mulheres cavaleiras, também é muito cruel assim como a montaria masculina em touros ou cavalos, além de antiética tal como qualquer modalidade de “esporte” com animais.
Podem ser percebidos, mesmo de longe, pelo menos dois atos violentos nessa modalidade de rodeio: a esporada e a chibatada. O objetivo é acelerar e manter em alta velocidade o cavalo, como se ele fosse uma máquina de velocidade cujos aceleradores são esses instrumentos de inflição de dor.
Com o fim de não deixar o animal desacelerar, a cavaleira bate com força, em rápida e longa sequência, as esporas de suas botas nos flancos (costelas e laterais do abdômen) do cavalo, causando uma dor que impulsiona o animal, que corre tal como um bicho com a cauda em chamas. Também bate, com muita força e agilidade, nas mesmas áreas do corpo do cavalo, com uma espécie de chicote curto, para comandá-lo e forçá-lo à corrida. Não é necessário dizer que, sob tais atos violentos, o animal sente bastante dor. Se chicotadas e esporadas não causam dor, então guerras não matam.
Mas não é só da dor que vive a exploração nos “três tambores”. Uma violência não física onipresente é próprio ato de usar cavalos para o fim de entretenimento, inclusive equipando-se os cavalos com instrumentos que visam dar-lhes velocidade. Os animais não são vistos como seres sencientes sedentos de liberdade, mas apenas como máquinas, automóveis de corrida cujos aceleradores e freios são os já citados acessórios de agressão. A esse tratamento somam-se as 1.001 parafernálias que vestem o cavalo – sela, arreio, estribo, cilha, cabresto…
Assim sendo, já está na hora de se incluir nos debates sobre a violência dos rodeios as outras modalidades, distintas dos tão discutidos e condenados bullriding e laçada em bezerros. A crueldade de categorias como os “três tambores” também deveria ser escancarada, pois é uma prova de que não se agridem e torturam apenas bovinos, mas também cavalos que, para o senso comum, não parecem sofrer tanto.
Robson Fernando

Robson Fernando é estudante de Ciências Sociais e escritor de artigos multitemáticos nas horas vagas. É vegano, ateu cético, ambientalista, homem feminista, progressista convicto. Recifense, é dono do blog Arauto da Consciência (consciencia.blog.br), onde divulga temas como direitos animais, meio ambiente, cidadania, justiça social e feminismo. Busca pela conscientização a melhoria do zeitgeist moral no mundo, em especial na sociedade brasileira, de modo que valores violentos, injustos e discriminatórios deixem ainda mais de ser tratados como normais, aceitáveis e convencionais. Entre seus maiores desejos estão o fim das vaquejadas no Nordeste, a abolição da pecuária e do comércio de animais, a transformação do veganismo em valor social dominante, a igualdade de tratamento entre homens e mulheres e a transformação da educação em meio de formar as novas gerações com o progressismo ético e o humanismo secular cético.

FONTE: www.anda.jor.br

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