São Paulo, 23/05/2017        
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Vegetariano morde?
Ivana Maria França de Negri

Quem é vegetariano já ouviu perguntas as mais absurdas, inusitadas, e por vezes até ilárias. E é claro que a pergunta que dá título a esta crônica foi apenas um chamariz para a leitura do texto. Mas não deixam de ser engraçadas as situações que um vegetariano vivencia.
Muita gente imagina que o vegetarianismo é uma espécie de religião e fazem perguntas tipo: “vegetariano pode beber?” ou “vegetariano pode fumar?”
Vegetariano, como o próprio nome sugere, come alimentos de origem vegetal, isto é, nada que seja oriundo da morte de animais, nenhum tipo de carne. Beber ou fumar é opção de cada um, mas a maioria que opta por uma alimentação saudável, fatalmente não vai fumar e nem beber, pois conhece os danos que esses vícios causam ao organismo.
Outro dia fui alvo de uma pergunta no mínimo engraçada. Alguém me perguntou se vegetariano podia tomar refrigerante. A menos que seja alguma bebida oriunda de vísceras ou sangue, o que desconheço existir, é claro que pode se ele assim o desejar.
Vegetarianismo não é religião e nem regime para emagrecer, pois muitos vegetarianos, principalmente os que pendem para as massas e doces, estão acima do peso. Existem vegetarianos magros, gordos, de diversas religiões e raças e os que bebem ou são fumantes.
Ser vegetariano é apenas uma opção boa para a saúde, para o meio ambiente e para os animais – menos sofrimento para eles.
Imagino que no futuro o contingente de vegetarianos vai aumentar pois não haverá mais espaço para grandes criações de gado porque a população humana vai se multiplicar drasticamente no planeta povoando áreas antes destinadas às fazendas de gado.
A alimentação carnívora é resultado de hábitos milenares herdados dos ancestrais das cavernas, quando não havia outra opção a não ser caçar para comer. Hoje em dia existem tantas variedades de alimentos que nem seria preciso mais matar.
Os animais seguem os instintos, mas o homem possui o dom de discernir.
Uma pessoa vegetariana fica com o paladar bem apurado e consegue distinguir vestígios de carne numa refeição, mesmo que bem diluídos. Como diz o ator Claudio Cavalcanti, vegetariano e defensor dos animais, “ninguém nunca pensa que as iguarias que consome nas comemorações natalinas, nos domingos e nas festas, são fruto da matança, do sangue, dos berros de dor, do pavor, da tortura, do pânico, enfim, do sofrimento dos animais para que tudo fique reduzido a uma sinistra e repugnante evidência da inconsciência em que se baseiam nossas tradições.”
Crianças são condicionadas a amar os animais. Dão-lhes fofos gatinhos, meigos cãezinhos, peixinhos coloridos e pássaros canoros de presente para que cuidem deles e os amem. E ao mesmo tempo, dizem-lhe: coma a “carninha” que está no prato, coma um pedaço do peixe que faz bem. E como fica a cabeça de uma criança que tem o peixinho no aquário para amar e um outro no prato para comer? Por que lhe mostram o cabritinho, o bezerrinho, a fazem acariciá-los e depois a obrigam a comer sua carne?
Quando um adulto acordar para essa realidade cruel e tomar consciência, está a um passo de se tornar vegetariano, um ser de paz.



Ivana Maria França de Negri – escritora e vegetariana

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