São Paulo, 23/11/2017        
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A verdade deve ser dita

Terremotos, maremotos, icebergs à deriva, nevascas intensas, inundações, estiagem e ciclones tropicais, lembram as historietas castradoras, temerosas, inibidoras, profetizadas, iguais aos contos de fada. As parábolas sempre foram utilizadas para sacudir o meio inocente, com o objetivo de conquistar a fatia ignorante, a que dá sustentação aos regimes políticos, econômicos e religiosos.

O que está acontecendo, na realidade, não passa dos resultados de fenômenos naturais, dos padrões organizados do universo, de movimentos periódicos que se repetem, definindo os ciclos naturais aos quais estamos ligados, seja ou não por obra de uma divindade criadora.

As catástrofes resultantes dos fenômenos físicos que brotam das profundezas da terra, como terremotos, maremotos e erupções vulcânicas, nada têm em comum com as ocorridas em razão das transformações ambientais, do aquecimento global, embora o desmatamento, as queimadas, os projetos agrícolas e urbanos malconduzidos, aliados ao comportamento indisciplinar dos consumidores, cooperem.

É inconcebível criticar e responsabilizar o homem por certas desgraças, ao colocá-lo no olho do furacão do alarmismo, das mentiras ideológicas, das fraudes que aquecem o clima no debate sobre pontos obscuros dos relatórios científicos. Os informes parecem bem ajustados a interesses de governantes e ao envaidecimento e projeção de parte dos barões da ciência, a mesma que queima combustível, torra o dinheiro público em viagens mais de cunho turístico, para montar painéis vazios, corriqueiros, sobre os malefícios das atividades antrópicas.

Isso denota a incompetência do Estado, que banca para formar cidadãos que somente desejam obter títulos, mamar nas tetas das universidades e nas dos centros de pesquisas. São os mesmos que ignoram a complexidade da natureza, não aprendem a manejar as ferramentas e modelos modernos disponíveis para as pesquisas. Os subalternos, fiéis colaboradores, e mais ignorantes ainda, também fazem alardes, criam os arrivistas, os ecologeiros, que aterrorizam os humildes e os colocam sob pressão e opressão, sob a prostração resignada, à espera do fim dos tempos.

As tragédias sempre existiram, mas os tempos mudaram, o mundo evoluiu. A Terra continua no seu dinamismo, gira, treme e vibra com os atritantes encontros de suas placas tectônicas. Sentir a terra tremer sob nossos pés, ao ver que tudo balança, a grande sensação é que a turbulência transformará em escombros o sonho pela vida, e, que, aos sobreviventes, resta o otimismo da reconstrução, diante de um gesto que nunca morre, o da solidariedade, que aflora nos momentos trágicos. Momentos que se tornarão mais devastadores, com um número maior de vítimas, diretamente associado ao aumento de habitantes em áreas de risco.

Pois então, enquanto houver o movimento terrestre, a evolução e mobilização das espécies, o mundo não vai acabar. Só acabará para os que não resistirem aos abalos sísmicos de grande magnitude e das baladas das inconstâncias atmosféricas.

Mesmo com a quantidade maior de sensores, as reações que ocorrem no interior da terra ainda são imprevisíveis. Cabe aprender com as tragédias e construir habitações mais sofisticadas, mais bem seguras, porém, no que se referem às calamidades resultantes dos colapsos atmosféricos, as chances de evitá-las, ou amenizá-las, serão sempre maiores, em razão do arsenal tecnológico sempre renovado, que, certamente, resolverá o futuro da Terra.

João O. Salvador é biólogo do Cena

(Centro de Energia Nuclear na Agricultura)-USP (Universidade de São Paulo).

E-mail: salvador@cena.usp.br

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