São Paulo, 24/05/2017        
PÁGINA INICIAL
Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Dentro da grande diversidade de valores, determinada pela cultura, rezada pela natureza antropocêntrica, estabeleceram-se diferenças entre a fé e crença. Ambas, nos ouvidos menos aguçados, soam como semelhantes. Mas, se a fé remove montanhas pela fidelidade aos princípios básicos da harmonia, da afinidade com os portais divinos, a crença, discretamente, emite opinião.
Quase todas as doutrinas pregam a existência de uma pessoa perfeita que viveu entre nós, que ressuscitou ou se encarnou, mas, diante da ignorância da época, jamais poderia revelar os proféticos acontecimentos como a fome, guerras, terremotos, inundações e sufrágios de almas no purgatório.
Com as versões deturpadas, extraídas dos alcorões e manuais evangelicistas, de complicados textos da santa verdade, criaram-se novelas de muitos capítulos e versículos na história das religiões. As mentes sensatas e futuristas sempre foram alvos de perseguições dos conventos e convenções, pela imposição da fé, das sarcásticas magias da mediocridade primitiva, sem direitos à misericórdia.
À época, pouco diferente de agora, quem pensava diferente que fugisse dos propósitos eclesiásticos, de sua ditadura, das santas inquisições, das garras afiadas dos gaviões dos fiéis para inibir o movimento científico. Certos conservadores, porém, arriarem-se de suas arrogâncias e Galileu fez a Terra girar no sistema solar, diante da dinâmica da lei da física, explicada por Isaac Newton, mas que Freud apenas idealizou sobre os contornos da razão e não conseguiu defini-la.
Charles Robert Darwin viajou no tempo, a bordo de um barquinho e divulgou suas teorias de tópicos controversos, rejeitada pelo mundo animalesco racional de princípios extremamente religiosos, por não dizer se natureza compactua com os mais fortes, inteligentes, ou com a esperteza dos mensaleiros, que usam o vozeirão nos cultos e louvores para subjugar os humildes e intelectuais.
Se Einstein viajou a ano-luz de seu tempo e deu a bela visão da matéria, Francis Crick e James Watson aproveitaram o tempo e expuseram, detalhadamente, a estrutura do DNA para a manipulação da matéria viva, que facilitou a decodificação genética. Aproveitando a troca de bastão, da sacolinha dos dízimos do conhecimento, da liberdade do princípio de escolha, Norman Borlaug sacou, sutilmente, seus trocados e aumentou a produção mundial de alimentos, entre 1960 e 1990, a qual beneficiou, especialmente, a América Latina, Ásia e África.
A biologia molecular, movida pelos largos passos científicos, hoje manipula genes, cultiva células e o mundo animal cresce com certa qualidade de vida e longevidade. A agricultura dos catadores de grãos agora perturba os ecossistemas sem causar danos irreversíveis. O aquecimento global está na onda, mas sem criar tanta onda de cristas arrivistas.
Claro que, apesar dos avanços, lamenta-se por ainda não ser possível fazer uma rotatividade de cérebros, do transplante de memórias. Mas, se o Redentor disse que não há limitação para satisfazer a curiosidade humana, desde que seja para o bem, a esperança dos subordinados da fé continua, enquanto a certeza dos cientistas é evidente, que, apesar das dificuldades, desejam a paz na Terra aos homens de boa vontade, mas que Deus continue em paz nas alturas. Amém...


JOÃO O. SALVADOR é biólogo–pesquisador do Cena

(Centro de Energia Nuclear na Agricultura)

salvador@cena.usp.br


<<Voltar para página Anterior

 

 

Topo^   

COLUNAS