São Paulo, 19/07/2019        
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ARTIGOS     
 
A arte da sedução nas espécies
JOÃO O. SALVADOR

Na espécie humana há várias formas de comunicação, de expressões faciais, gestos e linguagem para estabelecer um relacionamento amoroso. Antes, o homem, sempre como o proponente, usava a maneira gentil, cavalheiresca, elegante, poética, para conseguir sua parceira. Mais tarde, a simples oferta de uma flor, passou a simbolizar um galanteio, um gesto romântico de sedução.
Hoje, cada sexo usa sinais mais ousados, principalmente os corporais. As mulheres tornaram-se escravas da moda, obstinadas, relutantes para exteriorizar sua beleza, elegância e atratividade, em razão da preferência dos homens por este tipo de mulher. Muitas se despiram da realidade, da sua qualidade de vida e da sensualidade em busca do parceiro que lhe proporciona segurança e poder.
Porém, diante das mudanças nos papéis sociais da mulher, mais independente e mais presente no mercado de trabalho, a vaidade masculina se exacerbou. Os mais vaidosos buscam as academias, os esteticistas, como arma para seduzir as “plastificadas e turbinadas”.
Na selva, o relacionamento entre os bichos, também exige truques de sedução, com rituais que podem envolver uma mistura de ternura e agressividade. O macho conquistador tem que passar por provas complicadas, envolvendo-se em aguerrida batalha contra outros para conseguir a eleita do seu coração. Ele precisa ser corajoso, forte e de grande imaginação. A fêmea, por sua vez, menos disponível e disputada, se dá ao luxo de selecionar o parceiro. Quando uma leoa vê um leão forte, astuto, matreiro, que mete medo nos demais, o escolhe para o acasalamento, com a intenção instintiva de ter crias de mesma imponência.
Além das formas auditiva e visual de comunicação, os animais, em geral, podem emitir sinais químicos odoríferos, perfumados (feromônios) utilizados para o seu relacionamento, seja de modo interespecífico ou intra-específico. Numa mesma espécie, os feromônios permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos e capazes de suscitar reações específicas de tipo fisiológico e comportamental em outros membros que estejam num determinado raio do espaço físico ocupado pelo excretor. É substância muito utilizada pelos insetos.
Nos alados, os machos são mais vistosos, exibidos e cortejadores do que as fêmeas, sendo obrigados a cantar de forma especial ou a exibir suas belas plumagens. Em algumas espécies, na época reprodutiva, há um ritual de radiosa beleza, quando vários machos ficam próximos uns dos outros, abrem e agitam suas asas, cantam, enquanto a fêmea sobrevoa-os e escolhe seu preferido. Já, em outras, o macho constrói uma cabana decorada com plumas coloridas e flores e destroem as cabanas de outros machos.
Nos seres aquáticos, os peixes, de uma maneira geral, os machos são mais coloridos que as fêmeas, e, para conquistá-las, fazem vários movimentos, similares a uma dança. Já, nos anuros, as rãs são mais românticas e sexualmente liberadas. Se o macho manifestar seu desejo, deve coaxar de uma maneira especial, à espera de uma resposta no mesmo compasso. Os encontros amorosos da espécie são sempre festivos, coloridos e coletivos.
Resumidamente, o amor é universal, presente em todo o reino animal, há relacionamentos poligâmicos, mas, também, os de união estável. Boa parte dos racionais, porém, ignora os truques de conquistas de outras espécies, e reina como se fosse a mais bela, a mais sábia e poderosa das criaturas.

JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura)-USP
salvador@cena.usp

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