São Paulo, 25/06/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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Estima-se que, além de competir com o homem pelo alimento, os insetos matam mais do que muitas guerras. O ressurgimento de certas patologias, tendo-os como vetor, demonstra que um ecossistema não é determinado por seu tamanho, mas por sua estrutura e seus padrões de organização. Quando desajustado, muitos de seus membros se associam ao ambiente urbano e, livres de predadores, transformam-se em pragas.
O Aedes aegypti, o mosquito alvinegro da dengue, devido as suas perninhas zebradas e de manchas brancas dorsais, chegou a ser considerado extinto do território brasileiro, por ocasião do combate à febre amarela, mas ressurgiu na década de 70, pelas falhas de programas e desativação de estruturas de combate.
Esta volta trouxe epidemias localizadas, junto com elas, a evolução no modelo de controle, como campanhas de conscientização, preparação de profissionais da saúde, métodos mais eficazes de combate ao mosquito e das modernas técnicas de detecção da doença.
O mosquito transmissor não respeita demarcações, limites ou fronteiras, de maneira que, de acordo com sua procedência, pode carregar em sua bagagem diferentes estirpes viróticas, o que dificulta a produção de uma vacina. No momento, são conhecidos quatro tipos de dengue, três desses sorotipos já circulam no Brasil.
A chegada do verão, que coincide com as férias escolares, é propício às viagens, mas, também, ao aumento da população do vetor, de modo que a mistura de turistas consiste no maior risco de contrair a doença e de propagá-la.
Sem larva não há mosquito e sem mosquito não existe dengue, de maneira que a solução é a prevenção, pelo controle eficiente da praga em todos os seus estágios biológicos, diante de um plano interativo.
Mais do que o controle do inseto, deve existir o controle de gente, pela ação efetiva dos órgãos públicos na preparação constante de profissionais para promoção de eventos de educação, de conscientização, com palestras nas escolas, campanhas nas ruas, na da imprensa e uma fiscalização soberana, demonstrando que a picada é indolor, mas seu efeito pode ser muito dolorido. Demonstrar, acima de tudo, que o perigo mora nos criadouros, como vasos, latinhas, garrafas, copos plásticos, caixas d'água, pneus, calhas, entulhos e piscinas. Lembrar, ainda, que a presença do mosquito em nosso meio urbano pode até ressuscitar a febre amarela.
Se a fiscalização deve agir e contribuir na orientação, na prevenção para evitar e eliminar os focos domiciliares do vetor, por outro lado, a população deve estar atenta e consciente de seu dever, o de manter a eficácia de uma integração, impedindo que o município se veja obrigado a investir grande parte de seu orçamento em combate à moléstia, em detrimento de outras doenças rotineiras e ressurgentes. É preciso incutir na cabeça dos cidadãos que o combate à dengue deve ser sistemático, todos os dias, a qualquer hora, o ano todo, mesmo que no ano anterior tenha havido redução do número de casos. Aliás, se a dengue pode matar, não podemos, jamais, acumular óbitos pela inoperância das autoridades e dos cidadãos responsáveis, de consciência coletiva. Todos devem fazer sua parte.

João O. Salvador é biólogo do Cena

(Centro de Energia Nuclear na Agricultura) - USP (Universidade de São Paulo).

salvador@cena.usp.br

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