São Paulo, 23/08/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
João O. Salvador
josalv@uol.com.br

É aviltante para qualquer cidadão brasileiro que a cada ano trabalha quatro meses somente para pagar impostos, com a elevada esperança de contribuir na construção de uma cidadania coletiva, ver a corrupção se alastrando como metástases nas instituições públicas.
Que país é esse, afinal, que não consegue se livrar dessa escandalosa teia advinda do continuísmo, das figurinhas carimbadas, dos mesmos envolvidos de sempre, enfim, dos velhos caciques, coronéis, deputados e senadores inescrupulosos, de caras envernizadas, que se aproveitam dos sigilos absolutos, dos atos secretos, para fermentar trapaças que privatizam a riqueza, socializam a miséria e reduz a chama da esperança. Luta-se para deixar um histórico, um currículo de vida digna, descendentes melhores para o país, mas como deixar um país melhor para nossos descendentes, com o histórico lamaçal no meio político? Dos caras-pintadas resta apenas o nariz vermelho de bolinha.
Triste passado, lamentável presente e questionável futuro, já que parte iletrada do povo é hipnotizada, aceita a farra das safadas promessas dos políticos de carreira ou dos que querem fazê-la com base na hipocrisia, na imoralidade. É a parte pobre, que não tem garantia de trabalho, de uma moradia digna, de um serviço decente de saúde, de educação e segurança. O povo não consegue banir, extirpar de vez esses malabaristas das falcatruas, das vantagens indevidas e da sacanagem que fazem com o dinheiro público por falta de informação, de união, face às grandes diferenças sociais, pela péssima distribuição de renda. Na verdade, nem mesmo muitos dos mais letrados, cultos, que têm acesso às informações, diante desta crise do Senado, não conseguem entender para que ele serve. Acho até que não faria qualquer diferença se ele tivesse um número reduzido de senadores ou se fosse extinto com suas catacumbas de lixo irreciclável.
Sem os polpudos salários recebidos pelos parlamentares e seus apaniguados, daria para remunerar melhor os médicos do SUS (Sistema Único de Saúde), os professores do ensino público -fundamental e médio -, os policiais e com a criação de mais empregos, tudo para ajudar os brasileiros a terem melhor qualidade de vida.
O mais comovente, acima de tudo, é ter um presidente turista, que vive mais no ar e por isso nunca sabe de nada, que acha até normal as negociatas, os acordos escusos, o superfaturamento, pagamentos por serviços não prestados, uso indevido de imóveis funcionais, além do nepotismo correndo à solta. Mas não é um presidente "fora do ar", claro, pois amenizar os atos fisiológicos e clientelistas dos políticos e do governo significa conivência, intimidação ou medo exacerbado de um patrulhamento. Por isso, devemos rever o conceito de governabilidade e do poder paralelo das decisões.
Pois é, o Brasil moderno, informatizado, vê agora toda a sujeira que se escondia antes, o patético espetáculo de escândalos, que agride e constrange, criando uma pirotecnia de indagações.
Diante de toda trama, de toda lama, a gente vai levando essa chama da esperança do despertar de nova consciência política e de formação de cidadãos autênticos, que espanem e oxigenem as instituições, no sentido de reconstruir um Brasil justo, solidário, respeitados por todos. Para isso, precisamos trocar os atos secretos, pelo ato discreto, legalmente secreto e mais poderoso: o voto.

João O. Salvador é biólogo do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura). E-mail: josalv@uol.com.br


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