São Paulo, 23/11/2017        
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ARTIGOS     
 
Somos feitos de água
Ivana Maria França de Negri

O ser humano resiste até quarenta dias sem comida, mas não sobrevive três dias sem água. Nossa constituição física é formada, na sua quase totalidade, por líquidos.
A Terra, um organismo vivo, também é constituída em sua maior parte por líquidos, em suas diferentes formas: rios, lagos e oceanos.
O temido aquecimento global vem aos poucos minando as fontes, minguando os rios e fazendo secar as lagoas. Enquanto uns desperdiçam água potável, outros perecem por falta dela.
As guerras, no futuro, não serão por disputa de terras e nem por petróleo, e sim pela água que será escassa e se tornará cada vez mais preciosa, pois dela dependem todos os seres vivos. As nações que detiverem os maiores redutos aquíferos terão o controle do planeta.
O “acordo de Paz” entre as nações será o “acordo da água”. Para aniquilar o inimigo serão visados os poços de água. Os tanques, os aquedutos, serão bombardeados para enfraquecer o inimigo.
Sem água não há agricultura, sem agricultura não há alimento para o gado que morrerá de fome e sede. O homem, sem água, sem agricultura e sem animais, também sucumbirá.
As novas regras do jogo serão: destruam os recursos hídricos e obterão a vitória.
Do recente Fórum Mundial de Davos, na Suíça, resultou um relatório alertando que o mundo corre o grave risco de sofrer a falta de água doce em menos de vinte anos. Afirma que a escassez de água poderá fazer com que Índia e EUA percam a quase totalidade de suas colheitas. O relatório calcula que no atual ritmo de derretimento, em razão do aquecimento global, as geleiras do Himalaia e do Tibet terão desaparecido até 2100 e setenta grandes rios do mundo secarão. Sem contar que para ser o “frigorífico” do mundo, o Brasil vai acabando com suas florestas e com os mananciais de água potável para manter as criações de gado.
O impacto ambiental é imenso. Se nada for feito desde já, as previsões sinistras se concretizarão.
A cultura do desperdício ainda impera e a grande maioria dos seres humanos não está nem aí para o uso racional da água. Uns poucos já acordaram para a gravidade do problema e é nessas pessoas que depositamos esperanças de reverter ou segurar a situação para que o caos mundial não se instale.
Temo só em pensar na profecia do Grande Chefe Índio, ao sentenciar com toda sabedoria herdada de sábios antepassados: “Quando o último rio secar, a última árvore estiver derrubada e o último animal for abatido, o homem verá que não pode se alimentar de dinheiro, e então será tarde demais e a única água que restará serão as lágrimas amargas de arrependimento”.
Que a espécie humana coloque as mãos na consciência. Políticos, governantes, professores, formadores de opinião, cidadãos, todos trabalhem em conjunto para que nossos descendentes herdem um mundo habitável. O planeta Terra pede água.


Ivana Maria França de Negri é escritora e defensora das causas ecológicas.

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