São Paulo, 23/11/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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Todos os seres animados agrupam em populações, formam comunidades distintas e se distribuem pela superfície terrestre e oceanos, em harmonia e equilíbrio dinâmico, mantendo uma relação com as condições do meio ambiente. Formam-se os mais complexos ecossistemas, cuja soma, denominamos de biosfera e fica a cargo da ecologia estudar as inter-relações entre os organismos, seu meio físico e propor medidas para o desenvolvimento sustentável.
Muitos não consideram as cidades como ecossistemas verdadeiros, em razão da influência humana, o que tira a conotação de um ecossistema natural. No entanto, quando se define que um ecossistema é um conjunto de espécies que interagem entre si e com o meio, não podemos descartar que as cidades, repletas de organismos distintos, devem ser encaixadas nesta categoria.
Em um ecossistema urbano, a produtividade e a diversidade de espécies são dependentes de obtenção da energia. Nos ambientes naturais, em sua maioria, a principal fonte é a solar, e sua produção para suprir as necessidades orgânicas de seus habitantes, relaciona-se com a quantidade de áreas verdes. Claro que, em relação a um ecossistema natural, as cidades possuem baixa quantidade dessas áreas e, conseqüentemente baixa produção de energia, o que obriga os residentes a importarem outras fontes, as produzidas pelos agricultores.
O mosaico de paisagens, constituído nas cidades, favorece a formação de ilhas de biodiversidades, por conta do refúgio de aves e animais, vítimas da devastação, das queimadas criminosas, da insensatez humana. Adaptados, inteirados com o homem, livres de predadores, sem competidores e com fartura de alimentos, suas populações crescem exageradamente, e, daí, os transtornos e passam a ter a conotação de pragas; os domesticados pelo homem são vítimas do próprio homem, dos irresponsáveis, que os têm como objetos, que no fim, viram lixo.
Dentre as espécies oportunistas, encaixam-se as baratas, formigas, cupins, traças, piolhos, ratos, escorpiões, carrapatos, pombos, pardais e mosquitos, que com seus curtos ciclos reprodutivos, causam incômodos permanentes, e a maioria são potenciais transmissores de doenças.
As atividades dos ocupantes urbanos geram microclimas especiais, já que a impermeabilização do solo, que substitui a vegetação, tem uma alta capacidade de absorver e irradiar calor. A água da chuva se escoa rapidamente, antes que a evaporação consiga esfriar o ar, enquanto que o calor gerado pelo metabolismo dos habitantes, associado àquele das indústrias, aquecem a massa de ar. Porém, este ar aquecido, poluído pelas atividades industriais, e das queimadas das adjacências, pode se comportar como uma cortina, um cobertor, que impede a entrada da luz solar e a saída do calor que é emitido pelo solo: efeito estufa.
Outros problemas ecológicos das grandes áreas urbanas referem-se ao aumento da densidade populacional, à construção desordenada, sem planejamento, sem infra-estrutura, causadores da miséria, das doenças, da delinqüência e da violência.
A manutenção da diversidade urbana é algo que deve ser respeitada, não somente em relação ao homem, mas, também, por consideração às demais espécies que com ele convivem. Para isso, é importante planejamento, sensatez e muito estudo sobre quais são e como se organizam todos os seres de uma urbe, dentro de um processo ecológico, de adequação ambiental, que desencadeia a ordem nesse ecossistema, que deve ser salutar, de convívio harmonioso entre seus habitantes.

JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
( Centro de Energia Nuclear na Agricultura ) - USP (Universidade de São Paulo)
salvador@cena.usp.br


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