São Paulo, 23/11/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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O mar é uma grande fonte de alimento que se fosse explorado de maneira racional, organizada, seria suficiente para alimentar uma população quatro vezes maior que a atual. As reservas de vida animal e vegetal são das mais variadas e maiores que as existentes na superfície terrestre. Somente a biodiversidade de um recife de coral é comparável a uma floresta tropical, claro, em miniatura, mas poucos sabem de seu preponderante papel na ecologia marinha.
A energia do mar, associada a do sol, regula a temperatura global garantindo a vida, a diversidade terrestre. A incidência dos raios solares, as mudanças de tempo, ocasionadas pelo movimento da água, do ar e do conteúdo de sal, caracterizam os diferentes tipos de climas das regiões do globo, determinando a força das diversas correntes marinhas, incluindo o fenômeno chamado El Niño. Mares e oceanos ocupam 70,8% de nosso planeta, responsáveis pela cor azul da Terra, quando observada do espaço, que, aliás, está bastante relacionada com o fitoplâncton flutuante - algas microscópicas, unicelulares.
Graças à oceanografia, ciência bastante recente, foi possível obter uma visão histórica a respeito desse fantástico ecossistema do ponto de vista físico e biológico. Estudos ecológicos apontaram que os séculos de pesca excessiva esvaziaram os oceanos de criaturas de grande porte, como baleias, peixes-boi, tartarugas marinhas e bacalhaus gigantes em várias regiões dos oceanos. No passado, a grande quantidade de crustáceos chegava a interferir na navegação, a transtornar os navegantes.
A superexploração desses recursos e a poluição causada por detritos industriais, esgotos, o uso de fertilizantes na agricultura, o derramamento de petróleo por refinarias, navios petroleiros e navios-fábricas, vêm a causar danos aos ecossistemas oceânicos e das zonas litorâneas, danos que interfere na cadeia alimentar, colocando em risco de extinção diversas espécies da fauna e da flora. Mais de um bilhão de pessoas de todos os países em desenvolvimento, que vivem da pesca, estão, também, ameaçados. No Brasil são mais de 8,5 mil quilômetros de ordem costeira, onde se concentra um quarto de sua população.
Outro grande problema é que no verão as chuvas e o grande fluxo de turistas, com pico elevado na época das férias escolares, trazem o aumento da poluição marinha. As chuvas, os ventos e as marés, encarregam de arrastar para o mar todo tipo de lixo e tudo que flutua acaba servindo de alimentos aos animais marinhos em geral, que não reconhecem o perigo representado pelos resíduos que os turistas, sem consciência ecológica - os farofeiros - jogam nas praias. Foram encontrados no estômago dos vertebrados, mortos pelos distúrbios alimentares, tampinha de plásticos, acendedores, restos de redes, de tênis, de bonecas, enfim, toda espécie de detritos à deriva, responsável pela morte de mais de um milhão de aves todos os anos, sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, golfinhos, tubarões, e centenas de espécies de peixes
O mar, que antes funcionava como uma estação de tratamento, passa agora a conservar os microorganismos patogênicos vivos, principalmente os coliformes fecais, devido à diminuição do nível de sal da água, pela diluição realizada na época das chuvas.
Há uma grande relação entre praia contaminada e saúde pública. Claro que as pessoas que freqüentam as praias de pior qualidade ficam mais doentes, pior para as crianças porque engolem a água. Nesses ambientes contaminados, além de gastroenterite, hepatite A, febre tifóide ou cólera, o banhista em contato com a areia contaminada pode adquirir problemas dermatológicos. As advertências, portanto, servem para que os turistas respeitem a sinalização de balneabilidade, não devendo ignorar as bandeiras vermelhas.
O termo diversidade diz respeito à variedade, convivência ou conveniência de idéias, mas biodiversidade, todavia, refere-se a riqueza de espécies viventes num determinado ambiente, cuja proposição natural da comunidade é interagir e preservar a vida, sem egoísmo, ambição e ganância, diferentemente da forma que agem os ecologeiros.
Como a atmosfera, o mar tem uma grande capacidade de adaptação, mas está próximo de seus limites, e o navegar da consciência é que vai determinar o seu futuro.

JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura)
salvador@cena.usp.br

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