São Paulo, 25/06/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Quem vê um cachorro passeando entre os leitos dos hospitais da USP (Universidade de São Paulo), visitando os pacientes, pode pensar que é um desmazelo, uma falha de organização, mas, na verdade, é uma iniciativa do “Projeto Amor na Coleira”, em visitas semanais de duas ou três horas, sob os cuidados de um voluntário, que comanda os cães a serviço da saúde, numa demonstração que o melhor amigo do homem é fiel também na hora da doença.
Foi com o título “A terapia dos cachorros” que o Jornal da USP, número 755, pág 7, usou para abordar o assunto referente ao uso de cães no tratamento em seus hospitais. A iniciativa da universidade baseou-se nas pesquisas estrangeiras que indicam que a presença animal traz benefícios, como o aumento do conforto, do bem-estar, diminuição de solidão, de estresse e menor percepção da dor, além do desenvolvimento da coordenação motora e do controle da pressão arterial.
Este projeto existe desde 2001 no Hospital Universitário (HU) e atualmente funciona no Instituto do Coração (Incor) e no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Os pacientes acostumados à rotina, os que permanecem por mais tempo nos leitos, como no caso dos adultos, se surpreendem com a visita animal, e se agitam positivamente, com suas brincadeiras, retomando o entusiasmo pela vida. As crianças querem brincar e se empolgam com os truques caninos: os afagos, as lambidas amorosas, as brincadeiras, o balanço caudal, em busca da reprocidade, enfim, o desejo de fidelidade.
Hoje já está comprovado que quando alguém está feliz o seu sistema imunológico funciona melhor. No caso do doente, o estado de satisfação o faz recuperar mais rápido, evidentemente, ativando as células de defesa.
Os animais utilizados no projeto da USP são selecionados ainda pequenos pelo voluntário e não há restrições quanto à raça, porém, para essas visitas, o cão deve estar limpo, com vacinas em dia e sem problemas de saúde. O animal também não entra em contato com pacientes internados por doenças infecto-contagiosas para não ser um vetor de contágio, seguindo as normas da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.
A terapia com animais vem demonstrando êxito também nos asilos, onde os ilustres visitantes - cães, gatos e coelhos - quebram a monotonia, a agonia, a tristeza dos velhinhos. Os animais favorecem a união, a troca de carinho abastece os sentimentos, despertando-lhes a memória afetiva, de certas sensações agradáveis presas pelo inconsciente.
Essa motivação, que compensa a perda da auto-estima, forma uma espécie de um novo impulso consciente, capaz de curar os grandes males causados pela correria, pela competição, pela falta de união, de amor ao próximo, tudo inerente ao turbulento, tecnológico e expressivo século 21.
Será um verdadeiro exercício para a alma, justamente para os que detestam abraços e beijos humanos, os de coração, mas que vão acabar se rendendo aos apelos de um bichinho de estimação, do murchar de orelhas, das lambidas de carinho, do balançar do rabo.
Claro, certamente os animais domesticados gostariam de viver na mais perfeita paz e higiênica harmonia com seu dono, mas para muitos eles são indesejáveis, transmissores de doenças e os maltratam, os descartam como um objeto, um brinquedo, um trapo qualquer. Para esses, o que lhes agradam são os bichos traiçoeiros, os que banalizam a vida e matam por prazer, o bicho-homem. Com eles ninguém mexe por medo da chantagem, de represália, da vingança. Por isso, há que elogiar a atitude da USP, uma das maiores universidades do mundo que dignifica os animais e explora, no bom sentido, os grandes benefícios que eles trazem para os humanos.

JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura)
E-mail: salvador@cena.usp.br

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