São Paulo, 18/12/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
O organismo humano tem uma tendência compassada para absorver as mudanças, mas quando ocorrem em curto e concorrido espaço de tempo, o desbalanço energético vital predispõe o organismo a transtornos psicológicos, como depressão, ansiedade, angústia e pânico, síndromes dos tempos modernos.
O mundo atingiu a adolescência com a chegada da globalização, uma força progressista impulsionada pela revolução na informática na economia, nas comunicações, permitindo maior intercâmbio de cultura, produtos e serviços.
O estreitamento entre os povos foi abrupto, onde se apurou o desenvolvimento disforme das populações, com os explícitos desarranjos operacionais, incompatíveis com um sistema exigente nos ajustes e correções em curtíssimo prazo, antes em conta-gotas.
No Brasil, um país endividado, que teve de lutar mais de duas décadas para reduzir o atraso, o reboliço causou grande turbulência emocional. As empresas nacionais tiveram que se enquadrar na ordem mundial, com a proposição de obter a qualquer custo a vantagem competitiva, a excelência na qualidade e inovação de produtos e serviços à base de muita imaginação e de criatividade.
Diante do bombardeio de informações, de questionamentos, de novidades e necessidade de adaptar-se ao dinamismo e da organização das idéias para cumprir metas, o recrutamento de profissionais ajustou-se na seleção dos mais bem preparados, os mais talentosos, de maior agilidade no uso das pontas dos dedos.
Com isso, o progresso acabou repartindo indevidamente os benefícios do crescimento. De um lado um contingente incapaz de lidar com o mundo da escrita, e, de outro, a porção adulta, quase analfabeta, incapaz de integrar à vida econômica, jogada à informalidade trabalhista. Desencontros e desejos reprimidos pelos ajustes às normas exigidas pelo mercado foram se acumulando e as crises emocionais, também. Daí, o desencadeamento do alcoolismo, da bulimia, da compulsividade, do uso de drogas pelos jovens que não contemplam um futuro promissor. Era dos barbitúricos, anfetaminas e ansiolíticos.
No conceito de carreira, trabalho e estresse andam juntos, os altos níveis de colesterol, das toxinas, em razão das dietas desbalanceadas, da falta de exercícios físicos, idem. Não há tempo a perder. O diálogo familiar virou um desconfortante monólogo e dos “psius”. A cláusula do espírito competitivo, do egoísmo e da frieza, impede a conversa franca entre os amigos de trabalho, pelos riscos de tocaias, no estilo lei da selva.
O ser humano é capaz de reagir a certas de agressões, porém a capacidade de adaptação está ligada à cultura. Os mais comprometidos com idéias e resultados têm maior dificuldade em manter o equilíbrio, pois a cobrança pessoal exagerada de dedicação ao trabalho compromete-lhes os fins de semanas e férias.
Mas a globalização é um dos eixos importantes para a evolução humana. As transformações devem ser bem-vindas, apesar do custo emocional. A paz e a solidariedade permanecerão distantes, como resultado do individualismo, dos choques éticos e étnicos.
Ser forte, persistente, é ser moderno, há, no entanto, os que não conseguem administrar certas situações e buscam ajuda. Só que o risco de encontrar um esculápio, também querendo um ombro para desabafar é grande, pois ele também é vítima do processo.
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JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura)-
USP (Universidade de S. Paulo)

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