São Paulo, 23/11/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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Que a Terra está ficando quente, sufocada, lacrimejante, destemperada, não há o que contestar. Porém, se isto é natural, ou decorrente da atividade humana, há certas dúvidas, mas não há uma sequer, que o homem contribui para este aquecimento.
Se o volume de gás carbônico e metano vem aumentando, o manejo tecnificado de produção de carne tem um peso fundamental neste processo.
O forte apelo sentimental dos vegetarianos, para que não se nutra de cadáveres, esbarra na resistência dos carnívoros, que preferem digerir a carne suculenta, com espessa borda de gordura. A razão principal, porém, para que se coma mais legumes e verduras, é que este hábito, além de ser mais saudável e de evitar riscos de doenças de origem animal, reduz emissão estimada de 220 toneladas por ano de metano, vindas da fermentação entérica dos bovinos - 18% de emissões mundiais de gases-estufa.
No Brasil, somando-se esses gases, com os originados pela destruição das florestas, para a formação de pastos, a quantidade chega a ser muito maior que a dos expelidos pelos escapamentos dos veículos movidos a combustíveis fósseis.
Atualmente, no planeta, os pastos ocupam 30% das superfícies emersas, enquanto que mais de 40% dos cereais que são colhidos, servem para alimentar, não diretamente os homens, e, sim, o rebanho bovino, principalmente o europeu.
Para atender à demanda externa, a criação extensiva de gado não só vem provocando o desmatamento em nosso país, mas também, maior consumo de água, de matéria-prima. Colocando tudo em pratos limpos, até que reflita se comer carne ou não, vale a pena, é bom lembrar que a prática de produções de derivados animais, como carne, ovos e laticínios, é extremamente poluente. São toneladas e mais toneladas de detritos que contaminam solo e, principalmente, a água, que se escassea para atender pocilgas, granjas e pastos. As nuvens negras, que antes significam chuva, agora são de fuligens, de cobertores de gases poluentes.
Em 2050, teremos nove bilhões de bocas para alimentar. Devido a este contingente humano, não haverá declínio do consumo de carne, mesmo com a queda registrada no oriente, que fez o mercado berrar, cacarejar e grunhir para satisfazer os prazeres da carne, pela carne.
De acordo a estimativa apresentada em conjunto entre a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e a OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos), a produção mundial de carne deverá aumentar em 9,7% para o boi, em 18,5% para o porco e em 15,3% para o frango, principalmente na Índia, na China e no Brasil. Daqui até 2050, a produção de carne pode até mesmo duplicar, passando de 229 milhões de toneladas no início dos anos 2000 para 465 milhões, diante de um substancial aumento do poder aquisitivo dos futuros habitantes.
A logística de produção é estabelecida pelas práticas racionais de aumento de produtividade e da rentabilidade do agronegócio, e quem comanda, no entanto, é a demanda e quem a determina é a consciência, e, esta, por sua vez, se atrela à cultura.
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JOÃO O. SALVADOR é biólogo

salvador@cena.usp.br
Publicação autorizada, desde que os CRÉDITOS SEJAM CONSERVADOS E
FONTE CITADA: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br


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