São Paulo, 23/08/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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Depois do episódio da malsucedida aterrisagem de uma máquina voadora, com equipamentos capazes de notificar, informar, ou até mesmo de agir, em última instância, em resposta à falha humana, entra em discussão o futuro das máquinas.
Há filmes que exibem certos personagens robotizados, com capacidade de transformar um objeto em máquinas inteligentes, que, aliadas aos efeitos especiais, causam a sensação de que, no futuro, seres não-biológicos dominarão o mundo.
Muitos, em postura vaticinadora, defendem a teoria de que a imaginável capacidade de auto-replicação de conhecimentos da inteligência artificial ou consciência eletrônica, idêntica a uma reação em cadeia, colocará o homem como refém de seus próprios atos, calado, submisso, de reverso pinado e manetes desalinhados.
A singularidade tecnológica, termo emprestado da física, significa dizer que no futuro a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em curtíssimo espaço de tempo, quando certos fenômenos se encaixarão em situações extremas, comprometendo, talvez, a famosa equação da relatividade. A curva da evolução, no caso, ficará tão vertical que ultrapassará o limite do próprio gráfico. As informações enviadas por um agente frio, sem alma, de poder incalculável, de tamanho minúsculo, igual ao de um elétron, viajarão às escondidas, em raciocínio lógico, à velocidade da luz.
Farão parte desta formação superinteligente, indubitavelmente, a mecânica quântica e a nanotecnologia. Não dá para aceitar, claro, que o homem seja tolo de criar uma inteligência artificial que ultrapasse suas dimensões intelectuais e criativas, enquanto a engenharia genética for capaz de realizar alterações no patrimônio genético para aumentar a complexidade do DNA, dando superpoderes aos sistemas biológicos. Verdade ou não, há inclusive, especulações de que novas gerações de crianças, os índigos, justamente por mudanças na genética estrutural, dirigidas pelos passos naturais da evolução, vêm representando uma resposta de transformação de consciência sobre os reais valores da espécie humana e sua interação harmoniosa com o meio.
Muitas deduções, no entanto, são feitas pelo momento fantástico que se vive, com a explosão de tecnologia, quando as máquinas articuladas, ou estáticas, trabalham com alta eficiência, sob o comando humano, através de programas estritamente logísticos, desenvolvidos pela aglomeração de células nervosas, que nem mesmo o mais intelectual dos intelectuais tem a noção exata da trajetória determinada por bilhões de sinapses. Embora muitos desses comandos representem o grande hiato de separações em classes, pondo em risco de extinção certas camadas sociais, há outros consideráveis, relevantes e fundamentais contra os estrategistas armados e desalmados, obcecados pela seleção artificial humana, da elitização, da eugenia.
O homem precisa aprender, porém, que se ele acabar deixando tudo a cargo da máquina, pela confiança em sua genialidade, assumindo um alto grau de dependência, correrá o risco de ser reduzido às condições de um animal doméstico. Se ela se igualar à capacidade de um rato, logo chegará à de um macaco e, rapidamente, à do homem. Daí sim, ele perderá toda a sua razão, a emoção, o seu ponto mais forte que é o amor pela vida. Não saberá nem mesmo desligar a sua cria agressiva, podendo findar-se sob o olhar gélido de sua obra-prima.
Vamos esperar, afinal, que o profético perigo da inteligência metálica, ou eletrônica, não se concretize no sentido de dominar o mundo à revelia do homem, mas, para isso, a consciência humana tem que se desenvolver com base na escolha do melhor tempero para a mistura de carne com chips. Este composto deve conter um caldo com os melhores ingredientes e condimentos para satisfazer o paladar científico, mas o molho, mesmo de sabor picante, tem que trazer mais saúde, trabalho, segurança, conforto e bem-estar para todos, deletando os desejos malignos dos que pretendem comandar o mundo através de ultra-sensores, ou pelo simples apertar de um botão.
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JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena

(Centro de Energia Nuclear na Agricultura) – USP

salvador@cena.usp.br
Publicação autorizada, desde que os CRÉDITOS SEJAM CONSERVADOS E
FONTE CITADA: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br

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