São Paulo, 23/11/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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A água está sendo considerada a grande riqueza deste novo século, porém, só lhe é dado o devido valor, quando as nuvens retardam em devolvê-la ao chão e às torneiras.
O alarmismo criado, em relação à sua raridade, parece estar atrelado há uma estratégia competitiva para sua aquisição no futuro, encaixando-a no circuito econômico e de possíveis intrigas entre as nações prepotentes. Os países que hoje importam barris de petróleo, talvez o façam, mais adiante, em forma de água. Um negócio da China, literalmente...
Vem sempre à tona a idéia de que, no futuro, as águas brasileiras serão internacionalizadas. É claro, que na questão hídrica, o Brasil está bem servido, bastante confortável. Possui a maior bacia hidrográfica do mundo e seu potencial de recursos hídricos corresponde a 53% da reserva da América do Sul e de quase um quinto da mundial.
Mas a água não vai acabar, porque, a mesma que sobe da terra, dos rios, lagos e oceanos, pela evaporação, é a mesma que se precipita para abastecer os mananciais e os aqüíferos freáticos, mantendo a sua quantidade total invariável no mundo. O que ocorre, na verdade, é uma irregularidade em sua distribuição, e que deve, em virtude da grande variabilidade climática, ser mais acentuada nos próximos anos, pelas mudanças no ciclo hidrológico, e, conseqüentemente, alterações nos cursos dos rios. O problema é que a distribuição desigual gera, cada vez mais, grandes disparidades sociais e geográficas.
A questão da água não está no âmbito da quantidade, e sim, na distribuição e qualidade. O que está havendo, na realidade, é a escassez acentuada de água potável, a água insípida, inodora e incolor, por descaso, desconhecimento, ou por pura ignorância. A poluição e a contaminação ameaçam rios e oceanos. Quando pura, ela é sinônimo de saúde, de vida, porém, em certos locais, já quase não consegue mais fluir naturalmente, diante de tantos resíduos químicos e de dejetos domésticos e industriais.
Agora, sim, podemos afirmar que água potável é um bem finito. Aquilo que muitos desperdiçam falta para outros. Existem perdas que chegam a 50% ou mais nas grandes cidades, em razão de ligações clandestinas, ineficiência, despreparo, ou do descaso de prefeituras na manutenção da rede de abastecimento. Por outro lado, o descontrole no uso doméstico, da drenagem urbana, que arrasta todo tipo residual de partículas e agregados sólidos, juntando-se ao carreamento de fertilizantes e defensivos agrícolas para os rios, as fontes de abastecimento ficam comprometidas. Toda esta carga de impurezas pode causar desequilíbrio na cadeia alimentar aquática e prejudicar a saúde humana.
Se não houver um gerenciamento adequado dos recursos hídricos, as grandes cidades terão que captar água em bacias distantes, como já acontece com a Grande S. Paulo, enquanto outros municípios deverão conviver, temporariamente, com o racionamento em época de estiagem.
A agricultura, setor que mais consome água e que mais desperdiça, precisa fazer a sua parte, ao adotar tecno-logia adequada, passando a utilizar métodos de ir-rigação que minimizem o desperdí-cio.
Estima-se que com crescimento populacional, e a continuidade do descaso, haverá maior demanda pela água, não só para saciar a sede, como também para produzir mais alimentos.
Outras medidas importantes para reduzirem a pressão pela demanda são a reutilização da água e a aplicação de um projeto ousado, moderno de construção de casas, prédios e complexos industriais, com coletores da água da chuva, para o uso geral, não para o consumo humano, evidentemente.
Diante do alarme disparado sobre as mudanças climáticas, resultante da ação humana, a água é um recurso natural que deve ter uma política séria de gerenciamento, com a proteção infindável dos recursos hídricos. Urge, portanto, encontrar alternativas para potencializar o manejo adequado das bacias, dos mananciais; reduzir o consumo e punir o uso irresponsável em todas os ramos de atividades; canalizar mais recursos orçamentários e financiamentos para programas de saneamento básico e de manutenção dos sistemas de abastecimento, porém geridos com muita seriedade e competência.
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JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura) – USP (Universidade de São Paulo)
salvador@cena.usp.br
Publicação autorizada, desde que os CRÉDITOS SEJAM CONSERVADOS E
FONTE CITADA: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br


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