São Paulo, 23/09/2019        
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Florais de Bach para animais
 
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Para Jean-Paul Ronecker, autor do livro "Le Symbolisme Animal, algumas expressões de ternura, como tratar alguém de meu gato, pantera, pombinha, olho de lince, ou de raiva - teimoso como uma mula, lobo em pele de cordeiro língua de víbora -, é uma comprovação da importância da presença animal na vida humana. Essas expressões forjam um bestiário abstrato, que povoa nossa fraseologia cotidiana e reafirmam, embora indiretamente, a natureza animal do ser humano. Desde a aurora dos tempos o ser humano amou e odiou o animal; fantasiou-o, invejou, rejeitou, humilhou e o exaltou. Depois de procurar parecer-se com ele, o homem tentou colocá-lo sob seu domínio, pela domesticação ou escravidão, tornando-o como sua coisa, seu joguete, sua propriedade ou mercadoria. A relação homem/animal sempre dependeu, principalmente, da psicologia profunda do homem. O cão, por exemplo, pode ser o melhor amigo do homem e também seu bode expiatório, que à s vezes pode tornar-se monstruoso no imaginário humano. Enquanto os animais comunicam, o homem somente fala, e, na maioria das vezes, para si próprio. De senhor do planeta passou a tirano. Um impiedoso predador, pilhando as riquezas naturais, saqueando o patrimônio que herdou, por julgar-se depositário único.

Existem quatro leis básicas da ecologia propostas por Barry Commoner. Na primeira, tudo, direta ou indiretamente, "está conectado a tudo", através de um grande sistema, semelhante a uma teia de aranha. Ao romper umas destas conexões ou se um dos elementos desaparece, todas as demais partes da teia sofrerão os efeitos, já que os ecossistemas se mantém estáveis através da interação. A segunda lei diz que "tudo vai para algum lugar". A estabilidade dos ecossistemas é possível, uma vez que os resíduos gerados por uma parte do ciclo são utilizados por outra parte. Só haverá desestabilidade se houver interferência no ciclo natural das coisas. Já na terceira lei, a Natureza utiliza com maior eficiência seu departamento de pesquisa. A quarta lei reporta que "nada é de graça". Tudo tem seu preço. Não é possível extrair combustível fóssil para queimar, liberando dióxido de carbono (CO2) e material particulado, sem que um preço esteja sendo pago, em algum lugar. E quando se coloca em perigo alguma forma de vida, todo o sistema corre risco (primeira lei). Ao se abater impiedosamente uma onça, estará se impedindo que essa prede os veados de uma certa região o que irá, certamente, causar uma superpopulação dos cervídeos, e, ao diminuir a oferta de seus alimentos naturais, passarão a destruir plantações, ou serão dizimados pela fome. Quando alguém mata aranhas e escorpiões, a tendência é aumentar as populações de insetos. O extermínio de vespas causa aumento nas populações de aranhas ou o de gaviões, as cobras venenosas. Menos cobras, mais ratos. A Natureza é um conjunto harmônico, onde os seres são interdependentes e com isso, as superpopulações das espécies são naturalmente controladas.

Um fato curioso é que sempre que se juntam gatos em áreas verdes, o que se pensa em primeiro lugar, é que estes promoverão uma espécie de chacina indiscriminada com a pobre fauna local. O que foi observado, no entanto, é a convivência pacífica de gatos em parques e em locais onde convivem com outros animais, como patos, marrecos e cutias. Por mais que sejam considerados eficientes predadores, não merecem a fama de destruidores do meio ambiente. Uma atitude isolada não deve qualificar um gato ou um cão como um exterminador de pássaros nativos e animais silvestres, respectivamente, em áreas verdes. Aliás, os "defensores" e "admiradores" dos pobres pássaros, que os compram no estado silvestre, estão incentivando o mercado vergonhoso do tráfico de animais da fauna nativa. O abandono de animais em parques e áreas verdes ocorre, sem dúvida, pela atitude insensata do bicho-homem e que outros, menos homem ainda, preferem exterminá-los pela prática cruel de envenenamento, com a anuência de autoridades.

Será que insetos, aranhas e escorpiões invadem as nossas casas ou somos nós que invadimos as deles? Á custa da grande especulação imobiliária, se destrói extensas áreas. Um minúsculo aracnídeo "macula" as cabeças dos mais respeitados cientistas do Brasil, ao decidirem abater as capivaras da Esalq, cujo interesse ainda é bastante questionável. Depois, com certeza, serão os gatos e os cães do parque. Ora, os predadores naturais das capivaras são as onças, jacarés, sucuris, entre outros, inexistentes na região. O aumento populacional dessa espécie na natureza indica oferta de comida e ausência de predadores. Atualmente, o maior predador das capivaras tem sido o homem, pelo abate clandestino. Infelizmente ele continuará sendo o maior predador de todas as espécies. É o único animal que mata por matar o seu semelhante.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br

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