São Paulo, 17/09/2019        
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Florais de Bach para animais
 
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O efeito estufa na Terra é garantido pela presença do dióxido de carbono e outros gases com propriedades semelhantes, caso do metano e do óxido nitroso. Esses gases constituem uma parcela muito pequena na composição atmosférica, em comparação com o nitrogênio (75%) e oxigênio (23%). Funcionam como o vidro e o plástico transparente na estufa artificial, criada pelo homem para estabelecer condições microclimáticas no cultivo de plantas, com retenção do calor absorvido da irradiação solar.
Graças a um efeito natural, a temperatura média do planeta mantém-se em torno de 15°C, imprescindível para a perpetuação da vida na Terra. Sem essa redoma ou cobertor, a temperatura nunca passaria de -27°C e a superfície terrestre seria coberta de gelo. Na Lua, onde não há uma atmosfera, não existe efeito estufa e, daí, as temperaturas variam de 100°C durante o dia a -150°C durante a noite.
A concentração de gás carbônico é muito pequena, cerca de 360 ppm (partes por milhão), significando que em uma caixa de água de mil litros, cheia de ar, ele ocupa apenas 0,36 litros ou 0,036%. Em um ambiente sem interferência humana, grande parte deste gás é produzida pela respiração celular das plantas e absorvida no processo da fotossíntese, mantendo-o em equilíbrio.
As nuvens têm outro papel importante no equilíbrio térmico do planeta. Elas refletem boa parte da radiação solar de volta para o espaço, promovendo um efeito contrário ao dos gases de efeito estufa.
As mudanças ambientais, que vêm ocorrendo, são creditadas à intensificação das atividades antropogênicas - ação do homem -, a partir da revolução industrial e o crescimento da agricultura no último século. O aumento da temperatura média anual do planeta é atribuído ao excesso de gases-estufa, baseando-se no incremento da adição de 33% de gás carbônico na atmosfera, em relação a 1850.
A queima de combustíveis fósseis, extraídos pelo extrativismo mineral do petróleo, carvão mineral e a liberação do carbono contido na biomassa no desflorestamento, são fatores que conferem o aumento deste gás. O nível de metano, elemento também gasoso, presente em ambientes pantanosos, conhecido também como gás natural, que corresponde a um quarto do aquecimento causado pelo dióxido de carbono, vem crescendo, assustadoramente, em razão da decomposição da biomassa afogada, dos campos de arroz inundados da China, das barragens para as construções de hidrelétricas e, também, resultante do produto da fermentação entérica dos bovinos. A sorte, todavia, é que parte de dióxido de carbono é dissolvida nos oceanos e extraída pelas algas, o mecanismo regulador, sem o qual, o ser humano já teria, sozinho, desequilibrado totalmente o clima da Terra. Porém, o aquecimento dos oceanos, favorece a formação de El Nià±os mais freqüentes e intensos.
Para certos cientistas, existe um bamboleio da Terra, ao redor do Sol, que causa a instabilidade climática de tempos em tempos, com a elevação ou diminuição do nível dos oceanos, dentro de um processo natural. Há três milhões de anos, a temperatura terrestre chegou a ser tão elevada que o nível do mar chegou a ser 25 metros mais alto que hoje.
Hoje, porém, com o cruzamento de dados, com medições feitas por satélites, navios e estações meteorológicas, há indicações de que a Terra esquentou mais do que em toda a era industrial e vai atingir um patamar de grandes mudanças, além das que já estão ocorrendo.
Com a vulnerabilidade da biosfera e do ciclo biológico, a projeção prevê que floresta tropical -principalmente a nossa floresta amazônica-, passe por processo de savanização; a boreal, nas regiões árticas, ficaria sujeita ao completo desaparecimento. A agricultura teria que se ajustar, gradativamente, ao clima, com a ocorrência de uma grande multiplicação de animais e vegetais, através de novas combinações genéticas e mutações, ou com maior proliferação de espécies próxima aos pólos. Muitas espécies deverão ser extintas, pelos tufões, tornados, furacões, secas e queimadas. A saúde humana será abalada, com mais predisposição aos ataques cardíacos e problemas respiratórios. Fome, miséria e epidemias de doenças tropicais, serão inevitáveis.
Se, comprovado que a Terra se aquece em virtude da intervenção humana, a revitalização do planeta, no sentido de evitar o apocalipse climático, vai requerer uma cooperação internacional urgente e sem precedentes, principalmente dos países ricos no sentido ético, substituindo a energia derivada de combustíveis fósseis, que movimenta a economia do planeta, por fontes de energia limpa, renovável mesmo que envolva, até mesmo, o consumo da energia derivadas das usinas nucleares, que são mais limpas do que a das hidrelétricas ou termoelétricas. É preciso criar instrumentos e mecanismos que promovam a gestão sustentável e que possibilitem alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em níveis aceitáveis, para que não interfira, perigosamente, nos ecossistemas terrestres e aquáticos, comprometendo o mundo das futuras gerações. Que o Brasil deixe de ser o grande emissor de gases-estufa na atmosfera, resultante da queima de áreas da floresta amazônica, devastadas, inclusive, para a implantação da agropecuária, com a conscientização de que uma moradia saudável para a Terra, seria se comprometer com todas as formas de vida.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br



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