São Paulo, 24/05/2017        
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Não é preciso ser muito entendido no assunto para afirmar que o coração não dói, não manda nos sentimentos do amor, da paixão, do ódio e nas mais diversas atitudes, sejam boas ou absurdas que um ser humano toma no decorrer de sua existência. O coração é um órgão oco, cuja função é recolher o sangue proveniente das veias e lançá-lo nas artérias, para alimentar as células. Portanto, o poeta, dentro do seu linguajar profundo, não sente e canta o que manda o coração, inspirado no luar, na paisagem ou na religião. Ninguém tem um coração de pedra, gelado ou derretido. Seu coração não toma a decisão, a não ser quando deixa de bater, entupido pelos colesteróis, ou por outra causa que o impede de bombear o sangue. Há um monte de atitudes atribuído a esse órgão que o coloca numa situação de muita responsabilidade, de vilão, de inconseqüente. É muito estigmatizado.

Certamente, essa atribuição, vem do tempo de Aristóteles, que arquitetou como se a mente vivesse do coração, como centro da vitalidade. Ele deslocou os pensamentos, as percepções (transformações dos estímulos) e sentimentos para o coração e atribuiu ao cérebro a função de manutenção da temperatura corporal.

Todas as decisões fazem partes de circuitos cerebrais, compartilhadas pelas estruturas neuronais, onde estão projetados os sentimentos e emoções. Emoção e sentimentos têm definições distintas. Enquanto as emoções são mais complexas e se caracterizam por súbitas rupturas no equilíbrio afetivo de curta duração, com repercussões consecutivas sobre a integridade da consciência e sobre a atividade funcional de diversos órgãos, os sentimentos são estados afetivos mais duráveis, mais atenuados em sua intensidade, em razão, de certa forma, de um laço da formação cultural, de uma sensação espiritual muito forte, adquirida.

Diz a teoria que temos três cérebros, para auxiliar no entendimento dos diversos comportamentos, que diferencia um ser de outro. Seja de um bandido ou de um ser inteligente, sensível e honesto.

A haste do cérebro é o chamado de cérebro reptiliano. Esta haste guarda as lembranças genéticas de nosso passado, uma memória armazenada, automática, experiente, útil para se tomar decisões rápidas, que não exigem os pormenores do raciocínio, quando estamos em perigo, sem tempo para pensar, para decidir. A segunda parte é a haste límbica, a raiz das emoções e sentimentos que afetam o humor e as funções do corpo todo. O neocortex, sim, esta é a parte do cérebro mais evoluída e adiantada, que governa a habilidade de falar, pensar e de resolver problemas. O neocortex abrange, aproximadamente, 80 % do cérebro, que faz a criatividade e a capacidade de aprender. O cérebro cognitivo.

No entanto, a dualidade entre razão e emoção é apenas aparente, não existe uma linha limítrofe. Ambas são partes de uma mesma trama. De acordo com a psicóloga Isabelle Filliozat, autora do livro "A inteligência do coração", desde o início dos tempos, os sentimentos têm a fama de impedir a razão. O certo é que as emoções influenciam o raciocínio, e esta é a experiência de cada um de nós. O pensamento é rápido quando estamos alegres, é lento quando estamos tristes. Claro que em certas circunstâncias as emoções podem perturbar os processos do raciocínio e a incapacidade de sentir pode alterar gravemente a aptidão para raciocinar ". O cérebro humano enfrenta um conflito permanente entre seu centro de emoção, que procura a satisfação imediata, e a zona da razão, que privilegia os objetivos a longo prazo, como revela uma pesquisa já publicada pela revista americana Science.

Portanto, os que se irritam com tudo e com todos, há uma razão do ponto de vista psicológico: são pessoas que não conseguem atingir um objetivo, o de satisfazer um desejo e, daí, têm sua auto-estima abalada. Mas tudo é uma questão de cultura, de consciência, mas não do coração. Ele não manda, porém o cérebro não funciona sem ele.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br

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