São Paulo, 23/08/2017        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Se o homem se mantivesse fazendo o mesmo que há dez mil anos, vivendo como catador de grãos e caçador de animais, certamente a população atual não estivesse acima dos dez milhões de pessoas. Hoje, como resultado da revolução tecnológica, a população beira os sete bilhões, e preestabelecida em nove bilhões para 2050. Isto significa mais bocas para comer.
A produção atual de alimentos é suficiente para suprir as necessidades das bocas existentes e deve continuar crescendo acima de sua capacidade de absorção, derrubando a teoria malthusiana, que previa um descompasso fatal entre o crescimento populacional e a produção de alimentos. A oferta só não é maior em razão do desperdício, que começa no campo, continua no transporte, pausa no armazenamento e termina no lixo.
A fome, em meio à fartura de alimentos, concentrada em certos pontos de regiões brasileiras, mesmo com os sucessivos aumentos das safras agrícolas, é resultante do desequilíbrio sócio-econômico, das diferenças regionais, da perversa estrutura de distribuição de renda, da globalização da miséria e da corrupção exacerbada.
"Nesta terra, em se plantando, tudo dá", reportou Pero Vaz de Caminha, ao rei de Portugal, anunciando a descoberta do Brasil. Estava certo, mesmo porque na época, bastava apenas retirar pequena parte de uma vegetação e plantar que tudo se convertia em alimento. A própria natureza se encarregava de semear. Com o tempo tudo mudou. O homem passou a manejar inadequadamente os solos e, ao perceber que na mesma área as safras começavam a se declinar, devastou mais florestas. Nem imaginava que a cada colheita grande quantidade de nutrientes era exportada pela cultura e que deveria ser reposta, compensada, para garantir a mesma produção; nem tampouco sabia que os solos cultivados estavam mais sujeitos ao desgaste pela erosão. As informações agronômicas, referentes à conservação do solo e reposição de nutrientes eram incipientes, apenas engatinhavam. A exploração predatória custou a redução dos 93% da Mata Atlântica e a extinção de outras reservas.
Nas práticas agrícolas de hoje, porém, graça aos ganhos de conhecimentos, é possível manipular o que há de novo em termos de fabricação de comida. Aprendeu-se que a obtenção de alimentos deve começar com a alimentação da própria planta; que não existe semente milagrosa sem adubo, e que ao lançá-la no solo, devem estar em disponibilidade, para que ela se desenvolva e manifeste todo o seu potencial produtivo, um substrato que contenha, além de condições físicas e biológicas adequadas, uma série de nutrientes chamados de essenciais, em dose equilibrada. Sem eles a planta não completa o seu ciclo de vida, e, como são diferenciados em quantidade de absorção, foram divididos em dois grupos: macronutrientes, o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre, absorvidos em maior proporção (kg/ha), e os micronutrientes, o boro, cobre, cloro, ferro, manganês, molibdênio, níquel, selênio e zinco, extraídos em pequenas quantidades (g/ha). Nenhum é mais relevante do que o outro, haja vista que se um estiver em dose insatisfatória na solução do solo, não basta a presença dos demais em níveis adequados e esta carência se manifesta através de sintomas visuais na planta, nas folhas (Fig. 1, 2, 3 e 4).
Agora, até certas plantas são empregadas como adubo verde, que cultivadas e incorporadas ao solo, enriquece-o com matéria orgânica e minerais. Os lixos urbanos já estão tendo aplicação na agricultura, assim como se estuda a possibilidade do emprego do lodo de esgoto, na forma de biosólido.
Para auxiliar nos estudos e garantir maior eficiência no uso dos fertilizantes químicos e orgânicos, os pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da área nutricional de plantas, contam com uma ferramenta importante, os traçadores radioativos e não-radioativos, com os quais são verificados os mecanismos de absorção e metabolismo vegetal, determinando-se doses, períodos de maior absorção radicular e foliar, melhor época de aplicação dos adubos e como os elementos interagem no solo e se dispõem à s plantas diante de determinados níveis de acidez. Os cultivos hidropônicos ajudam a elucidar os problemas da interferência dos solos nos estudos básicos.
Enfim, o uso eficiente dos fertilizantes permite aumentar a oferta de alimentos, colhendo-se mais produtos numa mesma área plantada, ajudando a poupar florestas, garantindo o alimento para o futuro. Malavolta, renomado nutricionista brasileiro, diz que a agricultura é a arte de perturbar os ecossistemas sem causar danos irreversíveis, o que equivale dizer, sustentabilidade ecológica, ou seja, explorar os nossos recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades em alimentos, fibras e energia, sem comprometer as necessidades das gerações futuras.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br





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