São Paulo, 18/12/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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Um quinto da população mundial responde por 70% das emissões globais de gás carbônico, o maior componente dos gases-estufa, resultante do uso demasiado de combustíveis fósseis. O efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural e necessário, pois, caso contrário, a temperatura da Terra seria tão baixa que restringiria as condições de vida. Cerca de 70% da energia solar que chega à superfície terrestre é devolvida para o espaço. Parte, porém, dos raios infravermelhos, é retida por gases, garantindo o calor para a formação da grande diversidade de espécies.

Mas um pequeno aumento global da temperatura é suficiente para romper o delicado equilíbrio da natureza, provocando temporais, inundações, furacões, incêndios florestais, secas e ondas de calor. Os imediatistas contestam os futuristas quando afirmam que parte do aquecimento atual é decorrente de uma tendência natural, e que a atividade antropogênica tem apenas colaborado. Para esses, a saúde do planeta está melhorando e, gastar dinheiro cuidando dela, é um péssimo negócio, trazendo, apenas, grandes custos e sacrifícios. Esse raciocínio, infelizmente, beneficia os Estados Unidos que continuam jogando na atmosfera, anualmente, quase seis bilhões de toneladas de gás carbônico, que representam 25% das emissões feitas pelos habitantes do planeta.

Só que alguns acontecimentos vêm demonstrando que a natureza responde à queles que hesitam em tomar medidas para conter as mudanças climáticas. A estiagem ocorrida, recentemente, no leste da Amazônia brasileira, indica que algo está fora da ordem natural. Pelas imagens mostradas pelos documentários, percebeu-se igarapés secos, barcos encalhados em bancos de areia, mortandades de peixes e populações isoladas, sem meio de transporte e de alimentos.

Embora os cautelosos cientistas e pesquisadores digam que ainda não há a certeza de que haja uma correlação entre o aquecimento global e a falta de chuvas na região, a verdade é que o aumento de apenas dois graus num oceano é o suficiente para causar mudanças drásticas no destino das correntes marinhas, responsáveis pela formação de nuvens e distribuição de chuvas. Se ocorrerem seguidos períodos de secas na Amazônia, a floresta perde a sua sustentação, acarretando a perda da biodiversidade e maior desprendimento de gás carbônico para a atmosfera. As previsões são pessimistas para os próximos anos, de acordo com os meteorologisistas e onda de calor, presente em plena estação de inverno brasileiro deste ano, indica que há algo errado no curso da natureza, que chora em protesto, cujas lágrimas, em fúria, inundam cidades. Em outros locais, porém, a natureza febril resseca o solo, que se racha e não sustenta a vegetação. É a lei da ação e reação, da causa e do efeito.

Mesmo que não haja comprovação científica de que a ação do homem esteja influenciando as mudanças climáticas, o melhor é adotar o princípio da precaução. Toda a atividade humana deve ser controlada e mesmo proibida se for necessário. As mudanças climáticas têm que ser encaradas como um problema político, sendo necessário uma mobilização mundial para frear as emissões de poluentes.

Na verdade, quando se vê uma enorme quantidade de lixo boiando nos rios, em época de maior vazão, qualquer sensato questiona o real motivo do ceticismo de muitos. O que a Terra necessita é de um povo mais educado, de cidadãos conscientes e não de discussões muitas vezes oportunistas, vazias e descabidas.

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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br

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