São Paulo, 25/06/2019        
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Florais de Bach para animais
 
ARTIGOS     
 
Há quem imagina que algumas matérias veiculadas em jornais ou em revistas científicas sejam para apoiar direitos e benefícios legais e financeiros de certos grupos e instituições, facilitando maior alocação de recursos em projetos de pesquisa. Se a propaganda é a alma do negócio, porém a competição entre os ramos da ciência deve ser de caráter sadio, sem sensacionalismo e demagogia.
A maior fraude científica dos últimos tempos, com a finalidade de atrair mais investimentos para a área da genética, pertence ao pesquisador sul-coreano Woo Suk Hwang e colaboradores que falsificaram os resultados publicados na revista "Science", sobre a clonagem de células-tronco.
Nem por isso a expectativa concentrada na aplicação da terapêutica celular regenerativa foi frustrada, já que as evidências experimentais vêm demonstrando sua realidade promissora para o tratamento de diversas doenças.
A terapia com células-tronco é aplicável de acordo com sua origem e finalidade. As terapias com células embrionárias exigem a participação de doador e receptor para formar um conglomerado celular, originando a clonagem perfeita, indicada na formação de diferentes tecidos humanos. A técnica pode revolucionar o poder de cura para os que têm órgãos lesionados e defeituosos, porém essas células devem ser "ensinadas" para exercer suas atividades.
Já as adultas, retiradas da medula e do cordão umbilical, recebem sinais inteligentes, percebem onde estão quando injetadas e estimulam as células progenitoras, além de protegerem as condenadas à morte, ensinando-as a manterem saudáveis, destruindo a auto-imunidade celular. Não há necessidade de existir a opção egoísta de serem guardadas do próprio paciente, desde que haja maior oferta de material em bancos públicos, quando as chances de encontrar material de compatibilidade genética entre doador e receptor serão maiores.
A aplicação das células embrionárias, proibida no Brasil, esbarra na questão da bioética, envolvendo religião e outros compartimentos da sociedade por causa da inexistência de um consenso que determine onde a vida começa, da mesma maneira que há pouco se discutia onde ela termina.
Para mim a vida pode começar no meio da própria vida, quando alguém se recupera de um mal que o faz renascer, acordar para sua existência. Cada vez que ocorre um efeito grandioso, de notoriedade, o assunto gera ansiedade e esperança para milhões de brasileiros portadores da perda ou diminuição da capacidade funcional de determinados órgãos. É evidente que, como qualquer método, o transplante celular não representa a cura para todos, o que é muito difícil para os pesquisadores que trabalham em função de tanta expectativa, sem garantias.
Hoje há mais otimismo para os que sofrem de diabetes, lúpus, doenças cardíacas, neurodegenerativas e hematológicas, porém é preciso, acima de tudo, livrar do conservadorismo, da burocracia e do medo para que haja mais testes com rigorosa monitoração e transparência, a fim de que o emprego de células-tronco deixe de ser ficção científica e passe a compor a era de terapia médica de eficácia consolidada, sem misturar ciência com política, religião, empresas, patentes e recursos financeiros.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br
A Publicação é autorizada, CONSERVANDO TODOS OS CRÉDITOS E
CITANDO A FONTE: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br


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