São Paulo, 24/05/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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Dentre todos os tipos de queimadas realizadas no Estado de S. Paulo, a da cana-de-açúcar tornou-se a grande vilã. Travam-se acalorados debates entre proponentes à sua extinção e dos oponentes, que preenchem espaços importantes na mídia, envolvendo em duelo, do ponto de vista democrático, de respeito, reconhecidas entidades de classes. As razões são fartas e compreensíveis, estando em jogo as questões políticas, econômicas, sociais, culturais e ecológicas, que enriquecem os debates.

A grande verdade é que a prática redunda em sérios malefícios e no imaginário coletivo, acredita-se, com razão, que não basta somente a lavoura oferecer empregos e alavancar a economia das cidades circundadas pelos canaviais.

No contexto geral, as queimadas afetam, indistintamente, a todos, mesmo à queles que usufruem deste meio para a subsistência, ou para os que exploram os trabalhadores, levando-os, em determinados casos, a fadiga e à morte.

Embora não representem perigo para saúde humana, as partículas visíveis, também chamadas de carvõezinhos, lançadas pelas queimadas, sujam as residências, roupas e veículos, aumentando o consumo de água em pleno período de escassez - época da safra. Essas partículas podem atrapalhar até mesmo o processo de formação das chuvas, pois, ao absorverem o vapor d’água, impedem-no de se condensar para formar as gotas de chuva. É um círculo vicioso: quanto mais fogo, menos chuva, quanto menos chuva, mais fogo. É o fogo cruzado entre a natureza e a parte gananciosa do homem.

Os particulados invisíveis, resultantes da queima da matéria orgânica do solo, são os mais catastróficos, porque desestruturam o equilíbrio dinâmico entre o organismo humano e o seu ambiente, determinando enormes gastos no sistema público de assistência médica, em época de frio, de estiagem e de umidade relativa do ar extremamente baixa. Quando inalados provocam ardumes nas narinas, na garganta, até atingir brônquios e os alvéolos pulmonares, acometendo mais os idosos e crianças.

O solo, empobrecido pela diminuição da biomassa, passa a necessitar mais de adubação química. A biodiversidade, então, corre constante risco, uma vez que, de uma maneira geral, o fogo afeta a fauna e a flora, provocando a morte de animais, insetos e microorganismos, além da possibilidade de atingir áreas de vegetação natural e de preservação permanente. Todos os anos esses ecossistemas são destruídos.

A adoção da colheita manual da cana crua é onerosa, de baixo rendimento, porém há que se pensar na forma racional de garantir a competitividade brasileira no mercado internacional do açúcar e do álcool, sem trazer os efeitos negativos da qualidade de vida da população. Evidentemente, a colheita mecânica causa um grande custo social pelo desemprego, porém a compensação poderá ser feita através da qualificação dos bóias-frias para exercerem outras atividades, contribuindo, inclusive, na redução da miséria neste setor.

De resto, a diversidade genética, seja pelos cruzamentos controlados, ou transgenia, pode ser o fator estratégico para o surgimento de variedades de fácil despalha e acabar, de vez, com esta prática da utilização do fogo, para facilitar a colheita desta gramínea.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br
A Publicação é autorizada, CONSERVANDO TODOS OS CRÉDITOS E
CITANDO A FONTE: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br






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