São Paulo, 18/10/2017        
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Florais de Bach para animais
 
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A água doce, líquido vital para todas as espécies, está ficando cada vez mais escassa no planeta. O consumo mundial de água cresceu duas vezes mais rápido do que a população mundial, prejudicando, justamente, os países mais pobres. A desproporção na sua oferta projeta, para o futuro, ondas migratórias em busca de água. Para cerca de 1,3 bilhão que vive com um dólar por dia, o aumento do preço dos alimentos, resultante da escassez de água, deverá ser muito marcante. Em média, 70% da água em todo mundo é utilizada na agricultura, porém na Ásia essa proporção cresce para mais de 90%. Com o crescimento populacional e a demanda por melhor qualidade de vida, a água necessária para produzir comida deve aumentar em 50%.

Quando os países em desenvolvimento, que já superexploram a água, fracassam na proposta de regular, gerenciar e investir em seus recursos hídricos, e se associa a esses malogros o crescimento populacional desordenado de grandes metrópoles, a crise aumenta.

Em 2050, cerca de 4,2 bilhões de pessoas - 45% do total global - estarão vivendo em países que não podem garantir a quota diária de 50 litros por pessoa para suas necessidades básicas e a globalização excludente forçará os pobres a esgotar, ainda mais, seus já escassos recursos naturais pela sobrevivência.

A Terra é abundante em água, mas somente 2,75% correspondem a água doce, dos quais apenas 22% podem ser utilizados, restando, portanto 0,6% para o consumo humano, uma vez que o restante se encontra em lugares inacessíveis ou na forma congelada.

É um recurso finito e sua redução de oferta, gerada pela demanda progressiva e aos padrões pouco racionais de uso, acaba por reduzir, também, milhares de espécies de outros animais que nela vivem, interferindo em toda cadeia alimentar.

Felizmente os números relativos ao Brasil mostram um panorama, a primeira vista, bastante confortável. Praticamente 15% dos 0,6% de água disponível no mundo estão no país, só que de 75% a 80% se encontram na região Norte, onde a concentração populacional é muito pequena. Mesmo assim, como o desflorestamento representa um perigo à riqueza hídrica dessa região, as alternativas bastante discutidas - respeitando a vocação a amazônica - para a conciliação do interesse extrativista e o de preservação, é incentivar o turismo ecológico e a introdução de industrias fitoquímicas, projetos contrários ao modelo pretensioso de ocupação, o da substituição florestal pela pecuária ou cultivos exóticos, de menor produtividade e maior dano à fauna e à flora da região.

Algumas cidades brasileiras já submetem seus habitantes ao rodízio ou já não consomem água verdadeiramente potável. Ocorre que o nível da água que vai para o tratamento é tão alto de impurezas, com quantidade exagerada de coliformes fecais, que o teor de cloro usado na nessa operação também é muito alto, roubando-lhe a qualidade natural de inodora, insípida, incolor e transparente, impondo-lhe alterações, principalmente no gosto, devido à s reações químicas.

Não adianta adotar uma posição menos alarmista, mas há tempo suficiente para cuidar deste importante recurso. A concretização dos objetivos do planejamento e da gestão da água deve passar pela adesão geral das comunidades. É imprescindível a conscientização de políticos, técnicos, ambientalistas, enfim, da população em geral para o problema, já que seis mil crianças morrem diariamente por não consumir água ou porque vivem em lugares com condições higiênicas precárias. O que está ocorrendo, diante dos relatórios da ONU e da Tearfund, uma ONG da Grã-Bretanha, é muito sério. É necessário dispor-se de medidas que garantam a qualidade da água potável, que protejam os mananciais, as águas subterrâneas e saneamento básico para todos. Lembrar acima de tudo que, ao se referir à água, seja ela salgada ou doce, os cuidados na sua preservação implicam numa dívida com as gerações futuras, pelo uso de um patrimônio que também lhes pertence.
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João Salvador - biólogo do CENA (Centro de energia nuclear na agricultura - USP);
colunista do site Petgree - www.petgree.vet.br ;
colunista e co-responsável pelo site Santa Ignorância ! - www.santaignorancia.rg.com.br ;
colunista do site ABC Animal - www.abcanimal.org.br ;
colunista do site Petfeliz - www.petfeliz.com.br ;
colaborador do "Jornal de Piracicaba", "Gazeta de Piracicaba" e "Tribuna Piracicabana".
colunista do site Florais e Cia - www.floraisecia.com.br
e-mail: salvador@cena.usp.br
A Publicação é autorizada, CONSERVANDO TODOS OS CRÉDITOS E
CITANDO A FONTE: site “Florais e Cia” – www.floraisecia.com.br



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